Revista 40 Graus

Notícias

Blogs

Outros Canais

Venezuela apela à ONU por Maduro enquanto promove anistia seletiva em casa

Governo interino pede libertação imediata do ex presidente preso nos Estados Unidos e tenta convencer o mundo de que vive nova fas
Redação

A diplomacia venezuelana resolveu recorrer ao palco global para exigir aquilo que chama de “justiça”. Nesta segunda feira, representantes do país pediram à ONU a libertação imediata de Nicolás Maduro, detido nos Estados Unidos desde janeiro e atualmente respondendo a julgamento por tráfico de drogas em Nova York.

Maduro foi capturado em 3 de janeiro durante uma operação conduzida pelos Estados Unidos em Caracas. A ação também levou à prisão de sua esposa, Cilia Flores. Diante do tribunal americano, o ex presidente declarou se considerar um “prisioneiro de guerra”, numa narrativa que tenta reposicionar o caso como embate geopolítico e não como processo criminal.

Foto: Pedro Mattey - 22.fev.26/AFPFamiliares de presos políticos dão entrevista coletiva em Caracas, em defesa de ampla libertação dos detidos
Familiares de presos políticos dão entrevista coletiva em Caracas, em defesa de ampla libertação dos detidos

O pedido formal foi apresentado pelo chanceler Yván Gil ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, que reivindicou a libertação do que chamou de “presidente constitucional da República Bolivariana da Venezuela”, insistindo na legitimidade do mandato encerrado em meio a forte contestação internacional.

Foto: REUTERSMaduro caminha na sede da agência antidrogas dos EUA, em Nova York
Maduro caminha na sede da agência antidrogas dos EUA, em Nova York

Desde a saída forçada de Maduro, quem assumiu o comando foi Delcy Rodríguez. A líder interina tratou de promover mudanças estratégicas. Entre elas, aproximou-se da administração de Donald Trump, cedeu o controle da indústria petrolífera e iniciou um processo de libertação de presos políticos que culminou numa lei de anistia aprovada em 19 de fevereiro.

A mesma lei que abriu as portas de algumas celas também levantou questionamentos. Segundo a ONG Foro Penal, 65 pessoas conquistaram liberdade plena nos últimos dias, enquanto o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, informou que 1.500 pedidos de anistia foram apresentados à Justiça. Ainda assim, organizações de direitos humanos classificam a medida como limitada, já que militares e outros grupos permanecem fora do alcance do benefício.

Um dos símbolos do antigo regime, a prisão de Helicoide, foi oficialmente desativada. O governo anunciou que o local passará por reformas para se transformar em centro social e esportivo da polícia. Ativistas preferem outra destinação: um museu memorial que relembre os abusos denunciados ao longo dos anos.

Maduro governou de 2013 a 2026, período marcado por denúncias internacionais, investigação do Tribunal Penal Internacional por crimes contra a humanidade e uma reeleição em 2024 cercada de acusações de fraude. Agora, o discurso oficial venezuelano afirma que os direitos humanos não podem ser usados como instrumento político e defende o fim das sanções contra o país.

No cenário europeu, a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, sinalizou que poderá propor a suspensão das sanções contra Delcy Rodríguez após a aprovação da anistia. O apoio não é automático e dependerá de consenso entre os membros do bloco. A Espanha já demonstrou simpatia pela iniciativa.

Enquanto isso, em Nova York, o processo contra Maduro segue seu curso regular. Em Caracas, o novo governo tenta convencer a comunidade internacional de que vive um momento de reconstrução institucional. Entre pedidos de libertação externa e promessas de reformas internas, a Venezuela busca reescrever sua própria narrativa diante do mundo.

Fonte: Revista40graus, mídias, redes sociais e colaboradores

Comente