Governo brasileiro critica nova ameaça tarifária dos EUA e cita possibilidade de reciprocidade
Planalto considera medidas protecionistas e acompanha investigações comerciais conduzidas pelos Estados UnidosO governo federal criticou, nesta quarta-feira (3), a nova proposta tarifária anunciada pelos Estados Unidos que pode atingir produtos brasileiros. Em nota oficial, a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a iniciativa como uma medida protecionista e unilateral e afirmou que acompanha os desdobramentos das investigações comerciais conduzidas pelo governo norte-americano.
A nova proposta prevê a possibilidade de aplicação de uma tarifa de 12,5% sobre produtos oriundos de diversos países, incluindo o Brasil, em decorrência de uma investigação relacionada ao suposto uso de trabalho forçado em cadeias produtivas internacionais. A medida ainda depende de decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A iniciativa foi anunciada poucos dias após outra proposta do governo norte-americano que sugeriu a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros, alegando supostas práticas comerciais consideradas injustas pelas autoridades dos Estados Unidos.
Em nota, o governo brasileiro afirmou que considera inadequada a utilização de temas relacionados às condições de trabalho como justificativa para restrições comerciais. O texto também destaca que o país possui reconhecimento internacional em políticas de combate ao trabalho análogo à escravidão e de proteção aos direitos dos trabalhadores.
O Planalto ressaltou ainda que poderá utilizar mecanismos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional, caso entenda que medidas adotadas por outros países prejudiquem interesses brasileiros sem respaldo nas normas internacionais de comércio.
Relações comerciais e cenário político
As discussões sobre tarifas têm ocorrido em meio a um contexto mais amplo de relações diplomáticas e comerciais entre Brasil e Estados Unidos. O tema também ganhou repercussão no ambiente político brasileiro, especialmente após reuniões realizadas por lideranças políticas brasileiras com autoridades norte-americanas nas últimas semanas.
O governo federal afirma que as investigações comerciais iniciadas pelos Estados Unidos em 2025 possuem relação com temas econômicos e regulatórios que vêm sendo debatidos entre os dois países. Já representantes da oposição rejeitam qualquer responsabilidade sobre as medidas estudadas pelo governo norte-americano.
Próximos passos
As propostas tarifárias ainda passarão por etapas de análise dentro da estrutura comercial dos Estados Unidos antes de uma decisão definitiva. O governo brasileiro informou que continuará acompanhando o processo e mantendo diálogo com autoridades norte-americanas, além de avaliar eventuais medidas diplomáticas e comerciais cabíveis.
Especialistas destacam que a adoção de novas tarifas pode afetar setores exportadores brasileiros e influenciar as relações econômicas entre os dois países, que mantêm um dos mais importantes fluxos comerciais do continente.
Fonte: Revista40graus, mídias, redes sociais e colaboradores
