Parcelar o Imposto de Renda ou fazer empréstimo? Veja o que compensa mais
Especialistas explicam custos, juros e orientam como pagar o IR sem prejuízo financeiroNa hora de pagar o Imposto de Renda, muitos contribuintes ficam em dúvida entre quitar o valor à vista, parcelar diretamente com a Receita Federal ou recorrer a um empréstimo. A escolha pode impactar diretamente o bolso, e especialistas em educação financeira são praticamente unânimes: sempre que possível, o pagamento à vista é a melhor opção.
Isso porque, ao optar pela cota única, o contribuinte evita a incidência de juros. No entanto, para quem não tem o valor disponível, o parcelamento oferecido pela Receita costuma ser mais vantajoso do que contratar crédito no mercado.
Como funcionam os juros do parcelamento
O imposto pode ser dividido em até oito parcelas mensais. A primeira não tem juros, mas a partir da segunda já há acréscimo de 1%. Da terceira em diante, soma-se esse 1% à taxa básica de juros da economia, a Taxa Selic, atualmente em 14,75% ao ano.
Na prática, isso representa cerca de 1,15% ao mês, o que torna o custo total relativamente baixo em comparação a outras formas de crédito.
Em uma simulação de dívida de R$ 1.000, por exemplo, o valor total pago ao final de oito meses seria de aproximadamente R$ 1.039,61 um acréscimo de cerca de 4%.
Empréstimo costuma sair mais caro
Ao considerar um empréstimo pessoal, mesmo com taxas consideradas baixas no mercado, o custo tende a ser maior. Em média, juros a partir de 1,24% ao mês já elevariam o valor final da mesma dívida para cerca de R$ 1.103,61, ou seja, mais de 10% de acréscimo.
Além disso, empréstimos geralmente incluem custos extras, como o IOF e tarifas administrativas, o que encarece ainda mais a operação.
Para que um empréstimo fosse mais vantajoso que o parcelamento do IR, a taxa de juros teria que ser inferior a aproximadamente 0,49% ao mês algo raro no mercado financeiro brasileiro.
Quando parcelar pode ser uma boa escolha
Embora não seja a opção ideal, o parcelamento pode ser uma alternativa inteligente em algumas situações. Ele é especialmente indicado para quem não tem reserva financeira e quer evitar dívidas mais caras, como cartão de crédito ou cheque especial, cujas taxas podem ultrapassar 100% ao ano.
Também pode fazer sentido manter o parcelamento e priorizar o pagamento de outras dívidas com juros mais altos, reduzindo o risco de endividamento excessivo.
E usar a reserva de emergência ou investimentos?
Se o contribuinte possui uma reserva de emergência, usar parte desse valor pode ser vantajoso, desde que não comprometa a segurança financeira. Nesse caso, o “ganho” está em evitar o pagamento dos juros do parcelamento.
Já o resgate de investimentos exige mais cautela. Em aplicações de renda fixa, por exemplo, pode haver cobrança maior de imposto ou perda de rentabilidade, dependendo do prazo. Por isso, é fundamental comparar o rendimento líquido do investimento com o custo dos juros do parcelamento.
Como pagar e datas importantes
O pagamento do imposto pode ser feito por débito automático ou por meio do Darf, emitido no sistema da Receita Federal. Quem optar pelo parcelamento deve recalcular o valor mensalmente, já que há acréscimo de juros.
Confira o calendário das parcelas:
- 1ª parcela ou cota única: 29 de maio
- 2ª parcela: 30 de junho
- 3ª parcela: 31 de julho
- 4ª parcela: 31 de agosto
- 5ª parcela: 30 de setembro
- 6ª parcela: 30 de outubro
- 7ª parcela: 30 de novembro
- 8ª parcela: 30 de dezembro
Decisão deve considerar o custo total
Antes de decidir, o mais importante é avaliar o custo total de cada opção e a sua realidade financeira. Pagar à vista é sempre mais econômico, mas, na falta de recursos, o parcelamento do Imposto de Renda tende a ser a alternativa mais segura e menos onerosa em comparação ao crédito disponível no mercado.
Fonte: Revista40graus, mídias, redes sociais e colaboradores
