Justiça mantém tornozeleira de Tatiana Medeiros após saída sem autorização de clínica
Decisão aponta descumprimento da prisão domiciliar e reforça monitoramento da vereadoraA Justiça Eleitoral do Piauí manteve o uso da tornozeleira eletrônica da vereadora Tatiana Medeiros durante o tratamento psiquiátrico realizado em uma clínica de reabilitação. A decisão foi publicada nesta quinta-feira (21) pelo colegiado da 98ª Zona Eleitoral de Teresina.
No mesmo documento, os magistrados revelaram que a parlamentar permaneceu fora da clínica por três dias sem autorização judicial, situação identificada pelo sistema de monitoramento eletrônico.
Segundo relatório do setor responsável pela fiscalização, a própria direção da unidade terapêutica permitiu a saída da vereadora sem comunicar previamente a Justiça Eleitoral.
Para os juízes, o episódio reforçou a necessidade da manutenção da tornozeleira eletrônica, já que o equipamento permitiu identificar o descumprimento das condições impostas na prisão domiciliar.
Na decisão, a Justiça reconheceu a gravidade do quadro psiquiátrico da parlamentar, diagnosticada com transtorno depressivo recorrente em episódio grave. Os laudos médicos particulares e a perícia oficial realizada pelo Instituto de Medicina Legal apontaram histórico recente de tentativa de autoextermínio e crises agravadas pelos alertas sonoros e vibrações do equipamento eletrônico.
Mesmo diante do quadro clínico, os magistrados entenderam que o tratamento pode ocorrer dentro do ambiente terapêutico sem necessidade de retirada da tornozeleira, considerando a gravidade dos crimes atribuídos à parlamentar e os riscos processuais ainda existentes.
A decisão também determinou novas medidas à clínica responsável pelo tratamento. Entre elas, a proibição de qualquer saída sem autorização judicial, salvo em casos de emergência médica, além da obrigação de comunicação imediata ao Judiciário sobre qualquer intercorrência.
A unidade também deverá adotar protocolo rígido durante o carregamento da tornozeleira eletrônica, recolhendo cabos e objetos considerados de risco após o uso.
Tatiana Medeiros foi presa pela Polícia Federal durante a Operação Escudo Eleitoral II, deflagrada em abril de 2025. Em 2026, ela foi condenada em primeira instância a 19 anos, 10 meses e 7 dias de prisão pelos crimes de organização criminosa, corrupção eleitoral, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e peculato-desvio.
Segundo o Ministério Público Eleitoral, a campanha da parlamentar em 2024 teria movimentado mais de R$ 2 milhões de forma ilícita, utilizando uma organização social para cadastramento de eleitores, pagamentos via Pix e exigência de comprovação do voto por meio de fotografias da urna eletrônica.
A defesa da vereadora informou que considera a sentença injusta e que está recorrerendo da decisão judicial.
Fonte: Revista40graus, TRE-PI, mídias, redes sociais e colaboradores
