Mototáxi de Luxo Família é investigada por girar R$ 2 milhões em Piripiri
Renda declarada modesta patrimônio vistoso e uma aula prática sobre lavagem de dinheiroSe alguém ainda acreditava que mototáxi era o novo mercado bilionário do Brasil, a realidade tratou de ajustar as expectativas. Em Piripiri, um núcleo familiar passou a chamar atenção não pela eficiência nas corridas, mas pela impressionante movimentação de cerca de R$ 2 milhões em apenas dois anos valor um tanto ousado para quem declarava renda bem mais modesta.
A operação foi realizada pela Secretaria de Segurança Pública do Piauí dentro da chamada Operação Magna, que desde 2023 apura suspeitas de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro na região. À frente das investigações está o delegado Lucas Klinger, titular da Delegacia de Combate às Facções Criminosas, Homicídios e Tráfico de Drogas de Piripiri.
Segundo as apurações, o investigado principal se apresentava como mototaxista. Até aí, tudo normal. O problema começou quando a quebra de sigilo bancário revelou uma movimentação aproximada de R$ 2 milhões entre 2022 e 2023 valor considerado incompatível com a renda oficialmente declarada. E não era só uma conta animada: havia transações envolvendo esposa e genitores, além da aquisição de veículos, imóveis e bens de alto padrão.
Do ponto de vista pedagógico, vale anotar:
Renda declarada baixa e patrimônio elevado costumam conversar diretamente com auditorias.
Movimentações incompatíveis chamam atenção.
E contas bancárias não funcionam no modo invisível.
Por decisão judicial, foram sequestrados bens móveis de alto valor, três imóveis em Piripiri e Boa Hora e decretada a indisponibilidade de um quarto imóvel. O sequestro é uma medida cautelar prevista em lei para impedir que patrimônios de origem suspeita desapareçam convenientemente antes do fim do processo.
A ação contou com apoio da Superintendência de Operações Integradas, do Laboratório de Lavagem de Dinheiro da Polícia Civil e da Polícia Militar. Traduzindo: quando os números começam a não fechar, as instituições fazem questão de revisar a conta.
Importante lembrar que os investigados têm direito à ampla defesa e ao contraditório. Mas a lição pública permanece clara:
Não basta aparentar uma atividade lícita.
É preciso que os números contem a mesma história.
Porque, no fim das contas, matemática financeira pode até ser complexa mas R$ 2 milhões não passam despercebidos.
Fonte: Revista40graus, SSP-PI e colaboradores
