Operação identifica “franquia da agiotagem” no Piauí com dinheiro vindo da Colômbia
A Operação Macondo, deflagrada nesta terça-feira (11) pela Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI)A Operação Macondo, deflagrada nesta terça-feira (11) pela Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI), revelou a existência de uma espécie de “franquia da agiotagem” que atuava em diversas cidades do estado. O esquema seria financiado com recursos vindos da Colômbia e operado por estrangeiros — principalmente colombianos e venezuelanos — que ofereciam empréstimos com juros superiores a 30% ao mês a pequenos comerciantes e trabalhadores informais.
13 presos em seis cidades do Piauí
De acordo com o delegado Yan Brayner, diretor de Inteligência da Polícia Civil, 13 pessoas foram presas nas cidades de Teresina, Parnaíba, Oeiras, Barras, Picos e Água Branca. Outros dois suspeitos seguem foragidos.
“O dinheiro vinha da Colômbia, era disponibilizado para os agiotas colombianos e venezuelanos aqui, e esses repassavam para pequenos comerciantes que infelizmente não têm acesso ao crédito formal”, explicou Brayner.
Segundo o delegado, o grupo mantinha estrutura padronizada e replicada em várias cidades, com moradia, transporte e alimentação garantidos pelos líderes do esquema.
“Eles funcionavam como uma franquia. Quem substituía o tarjeteiro em uma cidade passava a usar o mesmo carro, morar no mesmo local e atuar na mesma rota. Conseguimos mapear a existência de uma verdadeira franquia voltada para a agiotagem no Piauí”, detalhou.
Cobranças violentas e ameaças
As investigações apontam que os empréstimos eram controlados por meio de pequenos cartões que registravam valores e prazos. As cobranças, no entanto, eram marcadas por violência e ameaças contra as vítimas.
“Eles quebravam bancas de feiras, subtraíam produtos e ameaçavam comerciantes que atrasavam pagamentos. Era uma cobrança com grave ameaça e violência”, relatou Brayner.
A divulgação dos serviços era feita por cartazes e panfletos afixados em áreas comerciais, especialmente nas regiões centrais de Teresina, Parnaíba, Barras, Oeiras, Floriano e Água Branca.
Valores e juros abusivos
O delegado Roni Silveira, coordenador da Força Estadual Integrada de Segurança (FEISP), informou que os valores dos empréstimos variavam conforme o perfil das vítimas.
Os registros apreendidos mostram valores entre R$ 200 e R$ 1.500, com pagamentos diários e juros variáveis.
“Nos cartões apreendidos, os valores começavam em R$ 200 e iam até R$ 1.500, com pagamentos diários. Mas também encontramos cadernos com valores maiores e prazos diferenciados”, explicou Silveira.
Ligação com o narcotráfico é investigada
A Polícia Civil informou que pretende ampliar as investigações para identificar os principais financiadores do esquema e rastrear a origem do dinheiro.
“A intenção é escalonar a operação para identificar o remetente do dinheiro vindo da Colômbia. Não descartamos que esses recursos tenham origem no narcotráfico”, afirmou o delegado Yan Brayner.
Bloqueio de R$ 5 milhões
A Operação Macondo cumpriu 15 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão, além de determinar o bloqueio judicial de R$ 5 milhões em contas ligadas aos investigados.
O grupo é acusado de agiotagem, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
Segundo a polícia, há relatos de desaparecimentos e até suicídios de pessoas que não conseguiram quitar as dívidas impostas pelos criminosos.
Fonte: Revista40graus, colaboradores e SSP-PI
