Perfume Caro Demais Para a Farda Sargento Mota é Expulso Após Condenação
Após 30 anos de serviço lição básica reaparece ninguém está acima da leiTrês décadas de estabilidade, farda passada e experiência acumulada não foram suficientes para ensinar ao sargento Avelar dos Reis Mota, o conhecido sargento Mota, uma regra que se aprende ainda na infância: o que não é seu não se pega.
O comandante da Polícia Militar, Scheiwann Lopes, determinou a expulsão do militar após condenação por furto qualificado. A decisão veio depois que a Vara da Justiça Militar de Teresina condenou Mota a 4 anos, 2 meses e 12 dias de prisão por invadir uma residência e furtar um perfume. Sim, um perfume. Pequeno no frasco, enorme na consequência.
O Conselho de Disciplina da corporação havia sugerido aposentadoria como punição. Mas, como a legislação militar permite ao comandante discordar do colegiado e aplicar sanção mais severa, prevaleceu a expulsão. Para um praça com mais de 30 anos de serviço, a medida ainda depende de sanção do governador Rafael Fonteles.
Do ponto de vista pedagógico, a situação é cristalina:
Estabilidade não é salvo-conduto.
Tempo de serviço não apaga condenação judicial.
E confiança pública não combina com crime.
A defesa, representada pelo advogado Otoniel Bisneto, informou que irá recorrer à Secretaria Estadual de Segurança Pública. Sustenta que a decisão do comandante não poderia contrariar o entendimento do Conselho de Disciplina e aponta supostos vícios na investigação, incluindo questionamentos sobre perícia de vídeo.
O direito ao recurso é legítimo e faz parte do devido processo legal. Mas também é legítimo lembrar que a Polícia Militar existe para proteger patrimônio e cidadãos — não para testá-los.
No fim das contas, o episódio serve como aula pública:
A farda representa autoridade, mas principalmente responsabilidade.
Quando essa responsabilidade é rompida, a consequência não pode ser tratada como detalhe.
Porque, dentro do Estado de Direito, a regra continua simples — e vale para todos.
