Perícia da PF desbloqueia celular de Vorcaro e mostra que memória digital não esquece
Tecnologia forense acessa dados mesmo com bloqueios e reforça trabalho da investigaçãoQuem acredita que uma senha, um reconhecimento facial ou um botão de apagar resolvem todos os problemas digitais talvez precise conhecer melhor o trabalho da perícia da Polícia Federal. No caso do banqueiro Daniel Vorcaro, preso na última quarta feira, os investigadores conseguiram acessar mensagens, contatos e outros dados armazenados em celulares apreendidos durante a operação.
Mesmo com o aparelho protegido por mecanismos de segurança, o conteúdo foi analisado por meio de técnicas de perícia digital forense, procedimento previsto em investigações criminais e realizado com softwares especializados capazes de extrair dados armazenados em smartphones.
Entre as ferramentas utilizadas pelas autoridades está a plataforma Cellebrite, bastante conhecida no mundo da investigação digital. Esse tipo de tecnologia permite acessar informações do dispositivo e organizar os dados para análise técnica dos peritos.
O perito digital forense Marcos Pitanga explica que as forças de segurança brasileiras contam com ferramentas consideradas entre as mais avançadas do mundo para esse tipo de trabalho. Segundo ele, esses sistemas conseguem superar mecanismos de proteção como senha numérica, reconhecimento facial ou outros métodos de bloqueio utilizados pelos usuários.
Com o auxílio dessas plataformas, os investigadores conseguem acessar conversas de aplicativos de mensagens, fotos, vídeos, áudios, registros de chamadas e até dados de geolocalização. Em alguns casos, inclusive, é possível identificar o local onde determinada fotografia foi tirada, graças às informações técnicas armazenadas junto aos arquivos.
Entre os dados extraídos pela investigação também está a lista de contatos armazenada no aparelho. Informações divulgadas apontam que a agenda recuperada inclui números de autoridades ligadas aos três Poderes.
O processo de acesso aos dados envolve uma etapa técnica conhecida como extração forense. Nesse procedimento, especialistas fazem uma cópia integral do conteúdo do dispositivo para preservar a integridade das informações e permitir uma análise detalhada em softwares próprios.
Segundo os especialistas, cada aparelho apresenta desafios diferentes para os peritos. O modelo do celular, a marca e a versão do sistema operacional podem influenciar diretamente na complexidade do trabalho.
Outro detalhe que costuma surpreender quem aposta no desaparecimento das provas digitais é que mensagens apagadas nem sempre desaparecem completamente. Fragmentos de dados podem permanecer armazenados na memória do aparelho ou em bancos de dados internos dos aplicativos.
Por isso, em determinadas situações, a perícia consegue recuperar partes de conversas que foram excluídas ou até mensagens enviadas no modo de visualização única, aquelas que desaparecem após serem abertas.
Especialistas ressaltam, no entanto, que o sucesso da recuperação depende de fatores técnicos específicos de cada aparelho e aplicativo analisado.
Vale lembrar que todo esse trabalho ocorre apenas com autorização judicial. A legislação brasileira exige decisão da Justiça para que investigadores tenham acesso ao conteúdo de dispositivos eletrônicos apreendidos.
Em operações com mandado de busca e apreensão, é comum que o juiz autorize a chamada extração forense de dados. É o caminho legal que permite que a tecnologia trabalhe lado a lado com a Justiça para esclarecer fatos e garantir que eventuais crimes não desapareçam junto com o botão de apagar.
Fonte: Revista40graus, Polícia Federal, mídias, redes sociais e colaboradores
