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Muitos discursos, poucos resultados: Flávio chega a 2026 sem projeto próprio virar lei no Senado

Pré-candidato do PL aposta na segurança pública, mas acumula propostas paradas e contradições políticas
Redação

O senador Flávio Bolsonaro chega ao último ano de mandato no Senado Federal sem conseguir transformar em lei nenhum projeto próprio apresentado desde que assumiu a cadeira em 2019. Mesmo tendo a segurança pública como principal bandeira política e eleitoral, o parlamentar acumula dezenas de propostas ainda travadas nas gavetas do Congresso Nacional.

Ao todo, Flávio é autor ou coautor de 57 projetos de lei e 92 propostas de emenda à Constituição (PECs). Apesar da quantidade, apenas duas propostas em que ele aparece como coautor foram transformadas em lei até agora, ambas sem ligação direta com segurança pública: uma emenda sobre isenção de IPVA para veículos antigos e outra voltada ao microcrédito.

Foto: ReutersO senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), durante sessão da CCJ do Senado
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), durante sessão da CCJ do Senado

Na prática, o discurso de “linha dura” segue forte nas redes sociais, nos palanques e nas viagens internacionais, mas os resultados legislativos concretos continuam tímidos no Senado.

Recentemente, aliados bolsonaristas tentaram transformar a decisão do governo de Donald Trump de classificar PCC e CV como organizações terroristas em uma demonstração de força política de Flávio Bolsonaro. O senador chegou a se reunir com Trump nos Estados Unidos e explorou politicamente o episódio.

Entretanto, no próprio Senado brasileiro, propostas semelhantes não avançaram, inclusive sem atuação efetiva do próprio parlamentar em plenário.

Entre os projetos apresentados por Flávio estão endurecimento de penas, redução da maioridade penal, restrições à liberdade provisória e aumento de punições para crimes considerados graves. Muitos desses textos seguem sem previsão de votação.

O senador também apresentou propostas alinhadas ao bolsonarismo ideológico, como flexibilização de radares de velocidade, inclusão de educação moral e cívica nas escolas, ampliação do acesso a armas e restrições a manifestações artísticas envolvendo menores.

Além da baixa efetividade legislativa no Senado, Flávio também acumula episódios de contradição política. O senador afirmou inicialmente que não conhecia o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, mas posteriormente vieram à tona encontros, pedidos de financiamento para o filme “Dark Horse” e versões desencontradas envolvendo contratos que nunca foram apresentados publicamente.

Mesmo assim, a assessoria do parlamentar afirma que ele teve participação relevante em pautas como o fim das chamadas “saidinhas” de presos e no debate da reforma tributária, argumentando ainda que a tramitação de projetos depende das presidências das comissões e da pauta do Congresso.

No campo orçamentário, Flávio destinou recursos principalmente para segurança pública, com verbas para forças policiais, inteligência e equipamentos no Rio de Janeiro.

Antes do Senado, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro exerceu quatro mandatos como deputado estadual no Rio de Janeiro. Na Assembleia Legislativa fluminense, teve maior taxa de aprovação de projetos, muitos deles voltados a benefícios para policiais e bombeiros.

Ainda assim, propostas mais ideológicas ou polêmicas também marcaram sua trajetória, como tentativas de revogar cotas raciais, transformar o símbolo do Bope em patrimônio cultural e dificultar expulsões de policiais militares condenados.

Agora, já em clima de pré-campanha presidencial, Flávio Bolsonaro tenta reforçar sua imagem ligada ao combate ao crime organizado. O desafio, porém, continua sendo transformar discursos, viagens internacionais e agendas políticas em resultados legislativos concretos.

Fonte: Revista40graus, mídias, redes sociais e colaboradores

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