Entre a seca e a enxurrada: Defesa Civil alerta para clima irregular no Piauí
Chuvas fora de época e estiagem prolongada exigem atenção redobrada e ações preventivasO Piauí vive, em 2026, um cenário climático que exige cuidado, informação e planejamento. De acordo com a Defesa Civil estadual, o estado segue em monitoramento constante por causa da combinação de seca prolongada em algumas regiões e chuvas intensas e inesperadas em outras. A avaliação é do diretor de mitigação da Defesa Civil, Werton Costa, em entrevista à Revista40graus.
Segundo ele, o maior desafio é a irregularidade do período chuvoso. Em vez de chuvas distribuídas ao longo dos meses, o que se observa são longos intervalos de estiagem intercalados com precipitações muito intensas em pouco tempo. Esse comportamento preocupa por dois motivos: afeta diretamente a agricultura familiar, base da economia de muitas regiões, e aumenta o risco de desastres súbitos.
Em cidades como Picos, por exemplo, foram registrados cerca de 50 milímetros de chuva em apenas duas ou três horas, em áreas consideradas vulneráveis. Situações semelhantes ocorreram recentemente em Simplício Mendes, Alto Longá e Piripiri, algumas acompanhadas de ventos fortes. Por acontecerem de forma rápida e localizada, esses eventos muitas vezes desafiam os sistemas de previsão e alerta, aumentando o risco para a população.
Werton Costa explica que esse tipo de chuva intensa pode provocar o chamado “desastre súbito”, aquele que ocorre sem aviso suficiente e causa impactos imediatos na vida das pessoas, como alagamentos, deslizamentos e danos a residências. Por isso, o monitoramento constante e a preparação das comunidades são fundamentais.
Ao mesmo tempo, a seca continua castigando regiões como o Vale do Guaribas, Vale do Itaim, Serra da Capivara e Vale do Canindé, áreas historicamente mais afetadas pela estiagem. Nessas localidades, a preocupação é evitar a chamada “seca composta”, quando um novo período de falta de chuvas se sobrepõe ao anterior, impedindo a recuperação de açudes, rios e lençóis freáticos.
A Defesa Civil destaca que há um esforço conjunto de diferentes órgãos para monitorar a situação e adotar medidas preventivas. O foco, segundo o diretor, é proteger o pequeno agricultor e o criador, evitando que a perda da produção agrícola se transforme em uma crise social ainda maior.
O cenário, portanto, exige atenção contínua, ações coordenadas e políticas públicas que ajudem o Piauí a conviver melhor com os extremos climáticos. Informação, prevenção e apoio às populações mais vulneráveis são peças-chave para reduzir riscos e proteger vidas.
Fonte: Revista40graus, Werton Costa, mídias, redes sociais e colaboradores
