Artistas defendem extinção do Conselho Estadual de Cultura do Piauí
Grupo critica estrutura herdada do regime militar, aponta falta de representatividade e pede criação de novo conselhoO Conselho Estadual de Cultura do Piauí, cuja estrutura atual remonta ao período do regime militar, voltou ao centro de um debate acalorado entre artistas, produtores e agentes culturais do estado. Para o grupo, o modelo vigente — mesmo após tentativas de democratização ao longo dos anos — permanece como um símbolo de autoritarismo preservado pelas sucessivas gestões estaduais, inclusive sob administrações do Partido dos Trabalhadores, destacando-se nesse contexto o papel do deputado estadual Fábio Novo.
Atualmente, o Conselho é composto por nove membros: três indicados pelo Governo do Estado, três pela Assembleia Legislativa e apenas três pela sociedade civil. O formato, segundo os signatários da manifestação, cria uma desproporção que mantém o poder público com maioria absoluta sobre decisões culturais, enfraquecendo a representação independente das artes e da cultura produzidas no território piauiense.
Os três representantes da sociedade civil são escolhidos por meio de um processo eleitoral em que apenas entidades com CNPJ podem se cadastrar, indicar candidatos e votar — um método que, de acordo com o movimento, há anos sofre críticas pela fragilidade e pela suscetibilidade a manipulações por parte de agentes políticos que controlam a gestão cultural.
Outro ponto destacado pelo grupo é o fato de que os nove conselheiros são remunerados — com valores acima de R$ 3 mil mensais — para reuniões semanais cujo impacto real não é claramente percebido pelos trabalhadores da cultura. Além disso, os eleitos para representar a sociedade civil podem ocupar cargos comissionados no governo estadual, o que, segundo os críticos, compromete ainda mais a independência necessária para uma política cultural democrática.
Diante desse cenário, artistas, produtores, músicos, poetas, cineastas e outros agentes culturais afirmam que “o regime ditatorial, de fato, nunca acabou” no campo das políticas culturais do Piauí. Para eles, a atual configuração do Conselho reproduz práticas autoritárias que impedem o amadurecimento do estado democrático.
O grupo propõe a extinção do Conselho Estadual de Cultura e a criação de um novo Conselho de Política Cultural do Piauí, cuja composição seja mais ampla, plural e com maioria da sociedade civil. A nova estrutura, defendem, deve garantir representação de todos os segmentos artísticos e culturais, atuar como instância fiscalizadora e ter caráter deliberativo — impedindo qualquer tipo de dominação ou influência que submeta a política cultural aos interesses governamentais.
A carta é assinada por dezenas de artistas e agentes culturais, entre eles:
Jairo Araújo – Sociólogo e produtor cultural
José Marques de Souza Filho – Músico, jornalista, filósofo e servidor público
José Rodrigues Neto (Zeca Anfitrio) – Músico, fundador do Grupo Anfitrio e conselheiro da OMB-PI
Marco Siqueira – Poeta e jornalista
Augusto Neto – Arte-educador, poeta, ator e diretor teatral (ANARTE/PI)
Jociel Araújo Pereira – Músico
Valderi Duarte – Cineasta
Cledeilson Barreto de Araújo – Rapper e artista
Mano Well – Músico
Paulo Tabatinga – Poeta
Pedro Laurentino – Poeta
Francisco Pellé – Ator e produtor cultural
Dôga Oliveira – Poeta, compositor e jornalista
Aci Campelo – Dramaturgo
Conceição Oliveira – Artesã, radialista e escritora
Antonio Carlos de Oliveira – Artesão e guia de turismo
Janahyna Coelho Oliveira – Artesã e guia de turismo
Lorena Campelo – Atriz
Marcia Martin – Cantora
Silvério Cardoso da Silva Filho (Silizinho) – Cantor e compositor
José Horacio Alves – Produtor de eventos (José de Freitas-PI)
Alberto Diaz – Radialista e entusiasta cultural (Monsenhor Gil-PI)
Marcondes Araújo – Escritor (Altos-PI)
Antonio Raimundo da Silva – Repentista
Flavio Carvalho dos Santos – Compositor
Paulo Henrique Pereira Soares da Silva – Teresina-PI
George Hendryx Correia Lima – Cantor e compositor
Ana Mel Carvalho Veras Panichi – Cantora
Luis Felipe Oliveira Sales – Cantor e músico
Paulo Fernandes Pereira dos Santos (Pelikano) – Artesão
Rosinaldo Alencar dos Santos – Repentista e forrozeiro
Raimundo Fernandes Esteves – Repentista
José Carlos Nunes da Silva – Repentista
Juscelino Oliveira – Administrador, produtor cultural e empreendedor
(assinatura adicional)
A manifestação foi publicada em 20 de novembro de 2025, em Teresina.
