BNDES promete repensar transporte de Teresina — já que a gestão municipal não conseguiu nem começar
Com até R$ 1,3 bi na mesa, estudo expõe o óbvio: anos de inércia deixaram o transporte da capital à beira do colapsoDepois de anos de promessas, planos tirados da gaveta e discursos sobre “melhorar a mobilidade”, a Prefeitura de Teresina finalmente decidiu… aderir a um estudo do BNDES. Sim, o transporte público da capital está tão abandonado que precisou de um banco federal dizendo “vamos dar uma olhadinha nisso aqui” para alguém admitir que a situação passou do limite há muito tempo.
O prefeito Silvio Mendes afirmou que metade dos R$ 1,3 bilhão estimados deve resolver o problema. Um otimismo admirável para quem governa uma cidade onde a frota envelheceu, os ônibus desapareceram e o usuário virou atleta de resistência tentando sobreviver a esperas de 40 minutos no sol.
Os técnicos do BNDES agora vão detalhar o que, teoricamente, deveria ter sido planejado pela própria gestão municipal: por onde começar, o que dá para salvar e quanto “oxigênio” resta no sistema — um termo irônico, considerando que o transporte de Teresina respira por aparelhos há anos.
O cronograma é quase uma piada pronta: dois a três anos para detalhar projetos, cinco para implantar. Ou seja, Teresina deve ganhar um transporte digno… no próximo mandato. Ou no outro. Quem sabe.
Entre as promessas grandiosas estão dois corredores de BRT, prolongamento do VLT até Timon e uma reestruturação completa do sistema. Tudo muito bonito no papel, enquanto hoje temos uma frota com idade média de 10 anos, terminais deteriorados e ônibus que mais parecem personagens de museu.
A gerente do BNDES lembrou que a concessão atual vence só em 2029 — aparentemente o “momento ideal” para repensar tudo, apesar de a população já ter desistido do transporte coletivo muito antes disso. Tanto que Teresina tem a pior adesão entre 21 regiões metropolitanas estudadas. Nenhuma surpresa.
O engenheiro responsável pelo Plano Diretor de Mobilidade jogou a real: a cidade caiu de 450 ônibus para 220. Não é crise, é desmonte. E com a população aguentando sol, calor e espera, a escolha óbvia foi abandonar o ônibus. A consequência? Mais acidentes, mais riscos e uma cidade onde o trânsito mata cinco vezes mais que Fortaleza.
Agora, com o BNDES segurando a mão da gestão municipal, resta torcer para que, desta vez, algo realmente aconteça — porque até aqui, mudar a realidade do transporte público ficou só no discurso.
