Hospital ou pombal
A fauna urbana agradece enquanto pacientes dividem espaço com fezes e riscos sanitáriosEm vídeo gravado e fotos no Hospital Municipal do Buenos Aires, o cenário chama atenção não pelo atendimento médico, mas pelo criatório involuntário de pombos instalado na própria estrutura do prédio. As aves fazem ninhos atrás de aparelhos de ar-condicionado, ocupam frestas da fachada e deixam um rastro nada simbólico de “boas-vindas”: fezes espalhadas pelas paredes e áreas próximas à circulação de pessoas.
Sim, pombos são aves urbanas comuns e até bonitas. O problema é que hospital não é praça pública. Estamos falando de um ambiente que deveria prezar pelo máximo controle sanitário. Fezes acumuladas e ninhos nas estruturas podem favorecer a proliferação de fungos e bactérias associados a doenças, especialmente respiratórias algo particularmente sensível em um espaço onde circulam pacientes debilitados, idosos e crianças.
A situação não parece ser um caso isolado. O que se vê é a adaptação confortável das aves à arquitetura hospitalar, como se o prédio tivesse sido pensado para acolherpacientes humanos e alados. Enquanto isso, quem busca atendimento médico acaba dividindo espaço com um risco sanitário que poderia ser prevenido com medidas simples de manejo e controle populacional.
O Controle ambiental não é perseguição a animais; é política pública básica. Retirada de ninhos das estruturas hospitalares, instalação de barreiras físicas adequadas e manejo responsável da população de aves são providências técnicas, não favores.
Porque, convenhamos, se até o ar-condicionado virou condomínio de pombos, talvez esteja na hora de lembrar que hospital é lugar de cuidar da saúde não de testar a resistência imunológica da população.
O vídeo registra um alerta claro: não se trata de implicância com aves urbanas, mas de responsabilidade sanitária. E essa, ao contrário dos pombos, não deveria voar para longe.
