Acordo histórico une Mercosul e União Europeia e amplia oportunidades globais

Parceria cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo e fortalece democracia e desenvolvimento
Redação

Após mais de 25 anos de negociações, Mercosul e União Europeia estão prestes a selar um acordo que marca um novo capítulo da integração internacional. A assinatura da Parceria Mercosul–União Europeia está prevista para este sábado (17), em Assunção, no Paraguai, reunindo dois dos maiores blocos econômicos do planeta.

Foto: Ricardo Stuckert / PR
Luiz Inácio Lula da Silva e pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, no Rio de Janeiro

Ao comentar o avanço, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou o caráter histórico do pacto. Segundo ele, a parceria reunirá cerca de 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto estimado em US$ 22 trilhões, consolidando uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, baseada no multilateralismo e na cooperação entre nações.

O anúncio ocorreu após reunião de Lula com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro. No encontro, foram discutidos os próximos passos do acordo e temas centrais da agenda internacional. Do lado sul-americano, participam Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai; do lado europeu, os 27 países da União Europeia.

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O presidente ressaltou que o acordo vai além do aumento do comércio. A expectativa é de geração de empregos, atração de investimentos e ampliação das oportunidades econômicas em ambos os lados do Atlântico. Lula também enfatizou que o Brasil busca diversificar sua pauta exportadora, avançando na produção e venda de bens industriais de maior valor agregado.

A parceria prevê a eliminação de tarifas sobre cerca de 95% dos produtos importados pela União Europeia, em prazos escalonados, ampliando significativamente o acesso dos produtos do Mercosul ao mercado europeu. Além da dimensão econômica, o acordo fortalece o diálogo político e a cooperação em áreas como democracia, direitos humanos, direitos trabalhistas e proteção ambiental.

Ursula von der Leyen celebrou o entendimento como um exemplo de prosperidade compartilhada. Para ela, o acordo cria um ambiente de regras claras, padrões previsíveis e cadeias produtivas integradas, capazes de impulsionar investimentos e gerar benefícios mútuos. “O comércio internacional não é um jogo de soma zero. Todos ganham com mais empregos e mais oportunidades”, afirmou.

Do ponto de vista estratégico, o acordo reforça a posição do Brasil no comércio internacional. A União Europeia já é o segundo maior parceiro comercial do país, com fluxo de bens que gira em torno de US$ 100 bilhões. A nova parceria tende a estimular a modernização do parque industrial brasileiro e a integração às cadeias produtivas europeias.

O texto também incorpora compromissos inovadores em sustentabilidade, reconhecendo responsabilidades compartilhadas no desenvolvimento sustentável e incentivando práticas produtivas alinhadas à descarbonização da economia. A União Europeia, inclusive, prevê um pacote inédito de cooperação para apoiar a implementação do acordo.

Com a assinatura, terão início os trâmites internos de aprovação nos países envolvidos. Concluídas as etapas de ratificação, o acordo entrará em vigor, consolidando uma parceria que aposta no diálogo, na cooperação e no multilateralismo como caminhos para uma prosperidade duradoura.

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