IPCA e IGP-M: entenda as diferenças entre os principais índices de inflação do país

Indicadores têm metodologias distintas e impactam contratos, salários, aluguéis e preços da economia
Redação

Embora ambos sejam utilizados para medir a inflação, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) e o IGP-M (Índice Geral de Preços Mercado) possuem metodologias diferentes e, por isso, podem apresentar resultados bastante distintos em determinados períodos.

O IPCA é considerado a inflação oficial do Brasil e serve como principal referência para a política econômica do país. Já o IGP-M ficou conhecido por ser amplamente utilizado na correção de contratos de aluguel, além de reajustes em setores como energia elétrica, telefonia e concessões públicas.

Foto: Eduardo Knapp
Compras de alimentos para as refeições em casa são parte importante do IPCA

Essa diferença de finalidade ajuda a explicar por que os dois índices podem seguir caminhos opostos. Em alguns anos, o IGP-M registrou queda enquanto o IPCA apresentou alta. Em outros momentos, ocorreu exatamente o contrário.

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Como funciona o IPCA

Calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA acompanha a variação dos preços de produtos e serviços consumidos pelas famílias brasileiras.

O índice considera centenas de itens distribuídos em grupos como alimentação, transporte, saúde, habitação, educação e vestuário. Cada produto recebe um peso específico de acordo com sua importância no orçamento das famílias.

Por ser uma média ampla, o IPCA nem sempre reflete exatamente a percepção individual de cada consumidor. Famílias com hábitos de consumo diferentes podem sentir impactos maiores ou menores da inflação.

Como é calculado o IGP-M

Produzido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), o IGP-M é composto pela combinação de três indicadores:

60% do IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo), que mede preços no atacado e na produção agropecuária e industrial;

30% do IPC (Índice de Preços ao Consumidor), que acompanha o consumo das famílias;

10% do INCC (Índice Nacional de Custo da Construção), voltado ao setor da construção civil.

Como a maior parte do cálculo está concentrada no IPA, o IGP-M sofre forte influência das commodities e da variação do dólar, fatores que muitas vezes não são percebidos diretamente pelo consumidor final.

Por que os índices podem ser tão diferentes?

A principal razão está na composição de cada indicador.

Enquanto o IPCA mede exclusivamente o comportamento dos preços pagos pelos consumidores, o IGP-M incorpora custos da produção industrial, agropecuária e da construção civil.

Quando produtos como soja, milho, minério de ferro ou petróleo registram grandes oscilações no mercado internacional, o impacto costuma ser muito maior no IGP-M do que no IPCA.

Inflação oficial nem sempre é igual à inflação percebida

Especialistas destacam que cada família possui uma "inflação própria", determinada pelos seus hábitos de consumo.

Quem utiliza mais transporte por aplicativo ou veículo particular, por exemplo, sente com maior intensidade aumentos nos combustíveis. Já famílias com idosos costumam perceber mais os reajustes de medicamentos e serviços de saúde.

Por isso, a sensação de alta nos supermercados ou em determinadas despesas nem sempre corresponde exatamente ao percentual divulgado pelos índices oficiais.

Por que o IGP-M é usado nos aluguéis?

O uso do IGP-M nos contratos imobiliários é uma herança do período de hiperinflação vivido pelo Brasil nas décadas passadas.

Além disso, o índice costuma ser divulgado antes do encerramento de cada mês, permitindo que proprietários e administradoras realizem os cálculos de reajuste com antecedência.

No entanto, a legislação não obriga a utilização do IGP-M. Atualmente, muitos contratos já adotam o IPCA como referência para atualização dos valores de aluguel.

Papel dos índices na economia

Tanto o IPCA quanto o IGP-M desempenham funções importantes no acompanhamento da economia brasileira. Enquanto o IPCA serve como principal parâmetro para a inflação oficial e as decisões de política monetária, o IGP-M continua sendo uma referência relevante para contratos e setores produtivos.

Compreender as diferenças entre os dois indicadores ajuda consumidores, empresários e investidores a interpretar melhor os movimentos da economia e seus impactos no dia a dia.

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