Ala do STF avalia prisão domiciliar para Bolsonaro após transferência

Ministros veem mudança para a Papudinha como etapa inicial do processo
Redação

Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e parte dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) avaliam que a decisão do ministro Alexandre de Moraes de transferi-lo para a unidade prisional conhecida como Papudinha pode representar um primeiro passo para a concessão de prisão domiciliar.

Foto: Gabriela Biló
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília

Embora Moraes não tenha sinalizado publicamente a intenção de autorizar o benefício, dois integrantes da Corte, de grupos distintos, interpretaram a mudança de local como um gesto nessa direção. Para esses magistrados, o novo espaço oferece melhores condições de permanência e pode anteceder uma eventual decisão de cumprimento da pena em casa, possivelmente em curto prazo.

Bolsonaro foi condenado por tentativa de golpe de Estado e, em novembro, deixou o regime domiciliar para cumprir pena em regime fechado na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, após tentar violar a tornozeleira eletrônica. À época, o ex-presidente alegou curiosidade, enquanto médicos atribuíram o episódio a possível confusão mental causada por medicamentos.

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Desde então, a defesa apresentou diversos pedidos relacionados às condições de detenção, e familiares passaram a manifestar preocupação com a saúde do ex-presidente, especialmente após uma queda que resultou em traumatismo craniano leve. Um ministro do STF próximo a Moraes afirmou que passou a defender a prisão domiciliar por receio de que o tribunal seja responsabilizado por eventuais complicações no estado de saúde de Bolsonaro.

Pessoas próximas ao ex-presidente compartilham da avaliação e acreditam que outros ministros devem pressionar Moraes por uma mudança de regime. Esse movimento ganhou força após articulações da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, junto a integrantes do Supremo.

A transferência para a Papudinha ocorreu após essas conversas. A unidade dispõe de uma área exclusiva de 65 m², com quarto, banheiro, sala, cozinha, lavanderia e área externa, além de permitir maior flexibilidade para visitas, banho de sol e exercícios físicos.

Na decisão, Moraes determinou ainda que Bolsonaro seja submetido a uma junta médica oficial da Polícia Federal para avaliação clínica. Após o parecer, o ministro decidirá se o ex-presidente permanecerá na unidade, será transferido para um hospital penitenciário ou terá analisado o novo pedido de prisão domiciliar apresentado pela defesa.

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