Ciro fala em perseguição após operação da PF sobre Banco Master

Senador rebate investigação, mas operação amplia pressão política e jurídica sobre o caso
Redação

O senador Ciro Nogueira se pronunciou nesta sexta-feira (9) após ser alvo da quinta fase da Operação Compliance Zero, que apura supostos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e irregularidades ligadas ao Banco Master.

Em nota divulgada nas redes sociais, o parlamentar afirmou estar “completamente indignado” e classificou a ação da Polícia Federal como uma tentativa de perseguição política e desgaste eleitoral.

Foto: Agência Senado
Ciro Nogueira (PP-PI) no plenário do Senado em 25 de junho de 2025

A investigação, no entanto, ganhou repercussão nacional devido à quantidade de elementos reunidos pela PF e às informações detalhadas presentes na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou buscas em endereços ligados ao senador no Piauí e em Brasília.

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Segundo os investigadores, há indícios de que Ciro Nogueira teria atuado em favor de interesses do Banco Master dentro do Congresso Nacional. Entre os pontos apurados está a chamada “Emenda Master”, proposta apresentada pelo senador em 2024 para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão.

Foto: Pedro Ladeira
Policiais federais deixam a casa do senador Ciro Nogueira em operação de busca e apreensão do caso Master

Relatórios da PF apontam que o texto teria sido elaborado por integrantes ligados ao banco de Daniel Vorcaro e posteriormente reproduzido pelo parlamentar. Em mensagens obtidas pelos investigadores, Vorcaro teria afirmado que a proposta “saiu exatamente como mandei”.

As investigações também citam supostos pagamentos mensais ao senador, variando entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, além do custeio de despesas como viagens internacionais, hospedagens, restaurantes e utilização de cartão de crédito ligado ao grupo investigado. A PF ainda apura possível tráfico de influência e favorecimento político em benefício do conglomerado financeiro.

Outro desdobramento da operação foi a prisão temporária de Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro. A Justiça também autorizou bloqueio de bens e valores milionários relacionados ao caso.

A defesa do senador nega qualquer irregularidade e afirma que as acusações serão esclarecidas no curso do processo. Até o momento, não há condenação judicial contra Ciro Nogueira.

Confira a nota divulgada pelo senador na íntegra:

“Sobre a tentativa de manchar a minha honra pessoal que aconteceu nessa semana, vale lembrar algo:

Todo ano político é a mesma coisa. Tentam parar de todas as formas quem lidera as pesquisas de intenção de votos.
Isso aconteceu comigo em 2018, faltando 15 dias para a eleição. Mas o povo do Piauí sentiu a perseguição política e o efeito foi contrário: crescemos 6 pontos na pesquisa e vencemos aquela eleição.

Na primeira tentativa de me parar, o devido processo legal apurou as ilações e mentiras contra mim e ficou comprovada a minha inocência. Mas fica uma pergunta: quem devolve a honra de uma pessoa depois de um ataque tão maligno e sem fundamentos como esse?

Suportar esse tipo de pressão só é possível pra quem nasceu pra servir o povo. E eu digo, nada me faz abandonar o povo que confia em mim.
Esses acontecimentos me dão mais energia para lutar por mais recursos para o nosso povo do Piauí e não deixar que os maus governem sobre os bons.

Obrigado pelas manifestações de apoio e carinho comigo e com a minha família. Que Deus continue abençoando o Piauí e o Brasil.
Vamos com tudo!

Atenciosamente,

um cidadão completamente indignado
Senador Ciro Nogueira.”

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