Impasse sobre reajuste adia acordo no transporte coletivo de Teresina
Divergência sobre cálculo salarial leva trabalhadores a convocarem nova assembleia
RedaçãoAs negociações entre trabalhadores e empresários do transporte coletivo de Teresina enfrentaram um novo impasse e adiaram a formalização do acordo que poderia encerrar a crise no setor. Diante da falta de consenso, o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Rodoviários do Piauí (Sintetro) convocou uma assembleia geral para a tarde desta segunda-feira (25).
Segundo o presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 22ª Região (TRT-22), desembargador Téssio Tôrres, a divergência está relacionada ao cálculo do reajuste salarial de 5,35% destinado aos cobradores e fiscais.
De acordo com o magistrado, o sindicato patronal defende que o percentual seja aplicado sobre o valor de R$ 1.601, estabelecido na convenção coletiva de 2025. Já os trabalhadores reivindicam que o reajuste seja calculado sobre o salário atualmente recebido pela categoria, de R$ 1.621, valor ajustado após o aumento do salário mínimo nacional em janeiro deste ano.
“Os trabalhadores entendem que o percentual deve incidir sobre o salário atual, já adequado ao novo mínimo nacional. Esse é o ponto que ainda impede a conclusão definitiva do acordo”, explicou o desembargador.
O presidente do Sintetro, Antônio Cardoso, afirmou que a assembleia irá discutir os próximos passos do movimento e apresentar à categoria todos os detalhes das negociações.
“Viemos discutir apenas a aplicação do reajuste para cobradores e fiscais, mas surgiram outras propostas que dificultaram o entendimento. Agora, vamos ouvir os trabalhadores e decidir os rumos da categoria”, declarou.
Entre os pontos debatidos nas negociações também está a proposta apresentada pelos empresários para que, com a ampliação futura da frota, não haja novas contratações de cobradores. Pela sugestão, os motoristas passariam a acumular também a função de cobrança das passagens.
O empresário Solfineri Silva afirmou que o setor empresarial já realizou concessões dentro das limitações financeiras do sistema e aguarda a decisão da categoria para concluir a convenção coletiva de 2026/2027.
O TRT-22 informou que os demais pontos do acordo já estão praticamente definidos, incluindo o entendimento envolvendo o subsídio da Prefeitura de Teresina. A expectativa é que o impasse restante seja solucionado após as assembleias convocadas pelos trabalhadores.