Protestos expõem crise no transporte e pressão cresce sobre Prefeitura de Teresina
Motoristas de app e estudantes cobram soluções enquanto gestão segue devendo respostas
A manhã desta segunda-feira (25) foi marcada por protestos em frente à Prefeitura de Teresina, no Centro da capital. Motoristas de aplicativo e estudantes ocuparam a área cobrando soluções para problemas que, segundo os manifestantes, seguem sem resposta efetiva da gestão municipal.
De um lado, motoristas por aplicativo denunciaram a falta de pontos adequados de embarque e desembarque na cidade. Do outro, estudantes protestaram contra a crise no transporte coletivo e criticaram declarações recentes do prefeito Silvio Mendes sobre o sistema público de ônibus.
Representantes do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores por Aplicativos do Piauí (SINDMAPI) afirmaram que a ausência de estrutura adequada vem provocando multas frequentes, insegurança e conflitos entre categorias do transporte urbano.
O presidente da entidade, Erico da Luta, citou como exemplo o caso do motorista de aplicativo esfaqueado por um taxista no Aeroporto de Teresina, na madrugada do último sábado (23). O trabalhador foi socorrido com vida.
“Hoje, em qualquer grande aeroporto do país existe área sinalizada para embarque e desembarque por aplicativo. Em Teresina, os profissionais seguem praticamente improvisando para trabalhar e ainda acabam multados”, afirmou.
Segundo a categoria, a reivindicação inclui a criação de áreas específicas em pontos estratégicos da capital, como Aeroporto, Shopping Rio Poty, Ladeira do Uruguai e praças centrais.
Os motoristas também anunciaram que irão protocolar pedido para cassação do alvará do taxista suspeito do ataque ocorrido no aeroporto.
Motorista de aplicativo há dez anos, Daniele Fernandes afirmou que os profissionais apenas pedem condições mínimas para trabalhar.
“Não queremos espaço de ninguém, queremos apenas poder trabalhar sem intimidação e sem risco. Falta organização e planejamento”, declarou.
Enquanto isso, estudantes também ocuparam a frente da prefeitura cobrando melhorias no transporte público da capital. Com faixas e palavras de ordem, o grupo criticou a situação do sistema e defendeu a municipalização do transporte coletivo.
O representante estudantil Pablo Alencar afirmou que os usuários convivem diariamente com redução de frota, demora e insegurança.
“A população continua dependendo do ônibus, mesmo diante do abandono do sistema. O problema é antigo e segue sem solução concreta”, afirmou.
Os estudantes também criticaram a postura da gestão municipal diante das manifestações e disseram que tentaram diálogo com a prefeitura, mas relataram falta de abertura para negociação.
Até o fim da manhã, não havia confirmação de reunião entre representantes da Prefeitura de Teresina e os manifestantes. O movimento estudantil já convocou um novo ato para o próximo dia 1º de junho, durante audiência pública prevista na Câmara Municipal.
Enquanto trabalhadores e usuários protestam nas ruas, a sensação é de que o transporte da capital continua andando em marcha lenta quando anda.