Departamente do Tesouro dos EUA anuncia sanções contra duas pessoas e três empresas brasileiras
Órgão norte-americano aponta suposta ligação entre os sancionados e a organização criminosa PCC
RedaçãoO Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou, nesta quarta-feira (1°), sanções contra dois brasileiros e três empresas sediadas no Brasil por supostas ligações com a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
A ação integra a primeira rodada de sanções após o governo do presidente norte-americano Donald Trump ter classificado, no mês de maio, o PCC e o Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas internacionais.
De acordo com o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC, na sigla em inglês) — agência vinculada ao Departamento do Tesouro norte-americano, o PCC representa uma "ameaça significativa à segurança nacional dos EUA" por operar em atividades como lavagem de dinheiro no território estadunidense. O órgão também considera a facção "a maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental".
Pessoas e entidades sancionadas
Segundo o anúncion desta quarta-feira, foram sancionados os brasileiros Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira. Entre as empresas atingidas pela determinação estão as brasileiras Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda; Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda e Wave Construções Inteligentes Ltda.
As informações divulgadas pelo OFAC apontam Victor Shimada como "elo-chave entre membros no PCC na Flórida e traficantes internacionais”. A instituição afirma que ele e sua estrutura movimentaram mais de US$ 30 milhões (cerca de R$ 156 milhões) em recursos ilícitos gerados em várias cidades estadunidenses, e utilizaram criptomoedas para transferir valores de volta ao Brasil em nome da organização criminosa.
Já Stella Oliveira é apresentada como parente e colaboradora de Victor Shimada. Ela teria atuado como intermediária na coleta monetária e na logística da lavagem do dinheiro.
Com as sanções, os bens e patrimônios dos sancionados localizados em território norte-americano ou sob controle de cidadãos americanos ficam bloqueados. Além disso, instituições financeiras que possuem laços com os atingidos pela medida também podem enfrentar sanções adicionais.
A investigação estabelecida para analisar as irregularidades foi conduzida por uma força-tarefa do Departamento de Segurança Interna dos EUA, com participação do FBI e do Departamento de Justiça estadunidense.