Ex-cabo acusado de matar policial civil em Parnaíba é expulso da PM e vai a júri

TJ-PI mantém decisão e ex-militar responderá por homicídio qualificado e fraude processual
Redação

O ex-cabo da Polícia Militar do Piauí, Valério de Sousa Caldas Neto, foi expulso oficialmente da corporação “a bem da disciplina”. A decisão administrativa definitiva foi publicada no Diário Oficial do Estado desta terça-feira (26). Paralelamente, ele teve todos os recursos negados pelo Tribunal de Justiça do Piauí (TJ-PI) e aguarda julgamento pelo Tribunal do Júri pelos crimes de homicídio qualificado e fraude processual.

Foto: Reprodução
Foto da vítima, Alexsandro Cavalcante Ferreira, de 45 anos

O caso aconteceu na madrugada de 13 de setembro de 2023, no residencial Caminho da Alvorada, em Parnaíba, litoral do Piauí. A vítima foi o escrivão da Polícia Civil Alexsandro Cavalcante Ferreira, de 45 anos, encontrado morto em frente à residência com perfurações no rosto e no peito. O policial civil era natural de Alagoas, solteiro, morava sozinho e atuava na Delegacia de Proteção dos Direitos da Mulher em Parnaíba.

Segundo as investigações, o então cabo da PM e o escrivão eram vizinhos. Após o crime, a arma da vítima não foi localizada inicialmente na cena. Horas depois, Valério Neto se apresentou espontaneamente à Central de Flagrantes de Parnaíba, acompanhado de advogado, entregando sua arma funcional e também a arma pertencente ao policial civil.

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Em depoimento, o ex-militar alegou que teria visto um homem caminhando com o rosto coberto por um capuz e decidiu realizar uma abordagem por considerar a atitude suspeita, diante de relatos de assaltos na região. Segundo sua versão, a vítima teria reagido de forma supostamente armada, o que motivou os disparos. A investigação concluiu, no entanto, que o homem abordado era o próprio policial civil Alexsandro Cavalcante.

Na época do crime, o delegado-geral da Polícia Civil do Piauí, Luccy Keiko, afirmou que a corporação estava de luto e destacou o apoio da Polícia Militar durante as diligências iniciais do caso.

Com a conclusão do processo administrativo disciplinar, a Polícia Militar determinou a exclusão imediata do ex-cabo da folha de pagamento do Estado, o recolhimento de fardas, insígnias, carteira funcional e arma institucional, além da cassação do porte de arma. A corporação também comunicou o caso ao Sistema Nacional de Armas (Sinarm) e determinou a apreensão das armas particulares do ex-policial até eventual regularização junto à Polícia Federal.

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