Ex-chefe de gabinete depõe sobre esquema de rachadinha na gestão de Dr. Pessoa

Caso segue sendo investigado
Redação

A ex-chefe de gabinete do ex-prefeito Dr. Pessoa, Suelene da Cruz Pessoa, mais conhecida como Sol Pessoa, presta depoimento na manhã desta quinta-feira (16) por videoconferência ao delegado Ferdinando Martins. Ela está presa desde terça-feira (14), quando foi deflagrada a operação "Gabinete de Ouro", que investiga um esquema de lavagem de dinheiro e rachadinha dentro do gabinete do ex-prefeito de Teresina, entre os anos de 2020 e 2024.

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Suelene da Cruz Pessoa a Sol do Dr.Pessoa

A intenção da polícia é ouvir Sol Pessoa e os outros três presos durante a operação ainda hoje, todos de forma remota. As prisões temporárias têm prazo de cinco dias, mas podem ser encerradas antes, caso o delegado entenda que os requisitos já foram cumpridos.

O depoimento de Sol Pessoa iniciou às 10h, na Penitenciária Feminina e se encerrou por volta das 11h30. Ela é acompanhada pelo advogado Djalma Filho, que afirmou que sua cliente está pronta para prestar todos os esclarecimentos.

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Sol Pessoa é a primeira investigada a ser ouvida no inquérito. Os outros três presos também devem prestar depoimento em seguida, de forma remota, já que os mandados de prisão estão sendo cumpridos dentro do sistema prisional. A audiência de custódia realizada na quarta-feira (15) manteve as prisões por cinco dias.

A operação

A operação "Gabinete de Ouro" foi deflagrada na terça-feira (14) pela Polícia Civil e resultou na prisão temporária da ex-chefe de gabinete Suelene da Cruz Pessoa (Sol Pessoa), do servidor público Rafael Thiago, do servidor terceirizado Mauro José e do empresário Marcus Almeida.

Segundo a polícia, até o momento, as investigações indicam que o ex-prefeito Doutor Pessoa não tinha conhecimento do esquema.

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Delegados da Operação Gabinete de Ouro e Interpostos

Durante coletiva de imprensa realizada na terça-feira, o delegado Ferdinando Martins explicou que o alto volume de movimentações financeiras realizadas pelos investigados chamou a atenção das autoridades e motivou o início das investigações.

“O volume transacionado por eles foi tão grande que o Coaf, órgão de monitoramento financeiro, apontou movimentações atípicas, o que culminou na investigação atual” , explicou o delegado.

De acordo com o delegado, Sol Pessoa coordenava todo o esquema.

“Ela tinha forte gestão e controle sobre todos os atos da administração pública, principalmente na lotação e realocação de terceirizados e servidores comissionados, envolvendo pagamentos a fornecedores. O trabalho demonstrou que um imóvel adquirido por ela tem vinculação com eventual vantagem ilícita” , detalhou Ferdinando Martins.

Conversas revelam esquema

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Print Sol Pessoa

Nas mensagens, Sol Pessoa pede para Marcus Almeida, que era servidor terceirizado, agilizar a nomeação de pessoas para cargos comissionados em secretarias municipais. Em um dos diálogos, ela solicita que uma pessoa seja lotada na Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas (Semcaspi), com salário de R$ 4 mil.

Foto: Reprodução
Print Sol Pessoa

As investigações apontam que algumas pessoas com cargos comissionados, especialmente as que recebiam salários mais altos, prestavam serviços pessoais à ex-chefe de gabinete. Um dos casos é o de uma pessoa nomeada na prefeitura que atuava como motorista particular de Sol Pessoa.

Ainda segundo a investigação, vários desses servidores recebiam salário, mas não trabalhavam efetivamente nas secretarias.

Sol Pessoa também teria enviado boletos de aluguel para serem pagos pelo servidor público Rafael Thiago, um dos presos na operação. Durante as buscas, a polícia encontrou cartões bancários de Rafael na residência de Sol, além de cartões de ex-servidores, levantando a suspeita de que ela continuava movimentando contas mesmo após o fim da gestão.

Ex-prefeito não saberia dos crimes

Durante a coletiva, o delegado Ferdinando Martins foi questionado sobre o conhecimento do ex-prefeito Dr. Pessoa da movimentação que ocorria em seu gabinete, e afirmou que a investigação ainda não possui indícios nesse caminho.

“Até agora a gente não conseguiu demonstrar, mas era uma assessora e eram motoristas do gabinete dele que faziam essas ações, ajudando essa assessora. O nosso material apreendido e as diligências executadas permitem outros avanços. Nós vamos analisar o material apreendido, os eletrônicos recolhidos, que alguns investigados se deram sem espontaneamente, colaboraram e estão dispostos a colaborar. A gente agora vai fazer a oitiva deles e ver o que eles podem acrescentar e trazer de elementos novos”, encerra.

"Sobrinha de consideração"

Sol Pessoa trabalhava com Dr Pessoa desde a adolescência, foi recepcionista e secretária de consultórios médicos dele e apesar do mesmo sobrenome e ser conhecida como sobrinha do ex-prefeito. Eles não têm parentesco.

Em nota, o ex-prefeito negou seu envolvimento. Confira a nota na íntegra:

NOTA DE ESCLARECIMENTO DR.PESSOA

O ex-prefeito de Teresina, Dr. Pessoa, vem a público esclarecer que a senhora Sol Pessoa, mencionada em notícia sobre recente prisão, não possui qualquer grau de parentesco com ele, tratando-se apenas de coincidência de sobrenome.

Dr. Pessoa ressalta ainda que desconhece qualquer atividade irregular, ilícita ou atípica praticada por servidores durante sua gestão, muito menos com sua anuência ou conhecimento.

Durante o período em que esteve à frente da Prefeitura de Teresina, todos os contratos foram realizados mediante regular processo licitatório, a partir de solicitações das respectivas Secretarias, e com acompanhamento e fiscalização dos fiscais de contrato e da Secretaria Municipal de Administração.

Por fim, o ex-prefeito reafirma seu compromisso com a transparência, a probidade e o respeito ao erário público, valores que sempre pautaram sua vida pública e sua atuação como gestor.

Teresina (PI), 14 de outubro de 2025

Dr. Pessoa
Ex-Prefeito de Teresina

Ex-vereadores investigados

Em um dos inquéritos, relacionados a Operação Interpostos, dois ex-vereadores de Teresina estão sendo investigados, mas seus nomes não foram revelados pela polícia, pois a investigação ainda está em andamento. Ninguém foi preso, apenas materiais foram apreendidos.

“A operação Interpostos deflagrada hoje se refere a essa movimentação financeira, principalmente entre dois ex-parlamentares. Um deles movimentou cerca de R$ 5 milhões em 2022 e, entre 2020 e 2023, aproximadamente R$ 14 milhões. A operação de hoje visa diligenciar mais provas e entender melhor esse esquema. Observamos que, dessas transações financeiras atípicas, um dono de empresa, que é ex-parlamentar, teria firmado contratos com o poder público utilizando interpostos, ou seja, terceiros atuando como sócios ocultos, possivelmente para dissimular patrimônio” , explicou a delegada Bernadete Santana.

O espaço segue aberto para as defesas dos investigados via 86-99850-1234.

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