Nem no velório escaparam da própria ousadia
Polícia reage à barbárie no Água Mineral e lembra que a lei não tira folga
RedaçãoA criatividade criminosa parece não conhecer limites — mas a lei, felizmente, conhece. Na manhã desta quarta-feira (11), a Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI) deflagrou uma operação integrada para cumprir mandados judiciais contra os suspeitos de protagonizarem uma das cenas mais absurdas já vistas em Teresina: a invasão de um velório seguida do incêndio do próprio caixão.
O episódio ocorreu no bairro Água Mineral, zona Norte da capital. O velório era de Adão Rodrigues dos Santos Júnior, de 27 anos, conhecido como “Cobra D’Água”. Na madrugada de 24 de janeiro, três homens armados invadiram a residência onde o corpo era velado, efetuaram disparos contra o cadáver e, como se não bastasse, atearam fogo no caixão. Um roteiro que, se não fosse real, pareceria exagero de ficção de mau gosto.
Segundo o diretor de Inteligência Estratégica da SSP-PI, delegado Yan Brayner, as investigações avançaram e identificaram não só os executores, mas também o suposto mandante do crime, que estaria em São Paulo. A motivação? Uma espécie de “acerto de contas” entre integrantes de facções criminosas, mostrando que, para alguns, nem a morte encerra disputas.
Adão Rodrigues tinha passagens pelo sistema prisional por tráfico, roubo e homicídio, além de ligação com organização criminosa. Após ameaças, mudou-se para São Luís (MA), onde descobriu ser portador da doença de Crohn. De volta a Teresina para tratamento, foi internado, contraiu uma bactéria, desenvolveu um quadro infeccioso grave e faleceu.
Se alguns ainda insistem em transformar até velório em palco de violência, a resposta do Estado veio como deve ser: com investigação, mandado judicial e operação policial. Porque, ao contrário de certos suspeitos, a polícia trabalha com método — e a lei, essa sim, faz questão de comparecer até onde acham que ela não chegará.