STF autoriza prisão domiciliar de médica envolvida na farra do INSS
Decisão de André Mendonça autoriza que Thaísa Hoffmann Jonasson cumpra a medida em casa, com tornozeleira eletrônica e restrições
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça decidiu, neste sábado (15), converter a prisão preventiva de Thaísa Hoffmann Jonasson em prisão domiciliar. Ela é esposa do ex-procurador-geral do INSS, Virgílio de Oliveira Filho, e ambos foram detidos pela Polícia Federal na última quinta-feira em meio às investigações sobre pagamentos suspeitos que ultrapassam R$ 5 milhões.
A defesa de Thaísa argumentou que ela é mãe de um bebê de apenas 1 ano e 4 meses, ainda em fase de amamentação. Com a prisão do casal, a criança passou a ser cuidada exclusivamente pela avó materna, de 73 anos. Mendonça considerou a situação da criança para autorizar que a investigada cumpra a medida em casa, destacando a necessidade de preservar direitos fundamentais ligados à maternidade e à primeira infância.
Além da prisão domiciliar, o ministro determinou o monitoramento eletrônico de Thaísa e impôs restrições, como a proibição de manter contato com outros investigados, exceto o marido. A medida busca evitar interferências na investigação, ao mesmo tempo em que garante proteção ao bebê.
Virgílio de Oliveira Filho, marido de Thaísa, ocupou o posto de procurador-geral do INSS pela primeira vez em 2020, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Após deixar a função em 2022, atuou como consultor jurídico no Ministério do Trabalho e Previdência. Em 2023, já no governo Lula, foi novamente nomeado para a Procuradoria-Geral do INSS, mas acabou afastado recentemente por determinação da Polícia Federal em decorrência da operação que apura desvios de R$ 6,3 bilhões na autarquia.
O caso segue sob investigação, e novas medidas podem ser adotadas à medida que a PF conclui análises de documentos, depoimentos e movimentações financeiras envolvendo o grupo investigado.