Férias escolares exigem atenção redobrada com saúde, vacinação e segurança das crianças
Período de viagens e lazer pede cuidados extras com imunização, hidratação, alimentação e prevenção de acidentes
RedaçãoCom a chegada das férias escolares, período marcado por viagens, passeios e mudanças na rotina familiar, especialistas recomendam atenção especial à saúde das crianças. O recesso, embora associado ao lazer, pode ampliar a exposição a riscos como doenças infecciosas, desidratação e acidentes domésticos ou aquáticos, sobretudo durante o verão.
Silvia Nunes Szente Fonseca, médica pediatra e infectologista e docente do Idomed, avalia que as férias representam uma oportunidade estratégica para revisar a caderneta de vacinação e adotar medidas preventivas. Segundo ela, manter o esquema vacinal atualizado é essencial não apenas para crianças, mas também para gestantes, que hoje contam com imunizantes contra influenza, covid-19 e o vírus sincicial respiratório, capazes de proteger os bebês nos primeiros meses de vida. A especialista também ressalta a importância do pré-natal adequado e da amamentação, considerada uma aliada relevante na prevenção de infecções e da desidratação infantil.
Durante os meses mais quentes, o risco de desidratação aumenta, especialmente entre bebês e crianças menores de seis anos. De acordo com Silvia Fonseca, bebês em amamentação exclusiva não necessitam de oferta adicional de água até essa idade, desde que a amamentação ocorra de forma adequada. Para crianças maiores, a recomendação é oferecer líquidos com frequência, inclusive durante brincadeiras e atividades ao ar livre.
A alimentação também exige cuidado redobrado nesse período. Frutas, verduras e legumes devem ser bem lavados e higienizados com soluções apropriadas. Alimentos que permanecem fora da refrigeração, como maioneses, cremes e fórmulas, devem ser evitados, já que o calor favorece a proliferação de micro-organismos e o sistema imunológico infantil ainda está em desenvolvimento.
A exposição ao sol merece atenção especial. Bebês pequenos não devem utilizar protetor solar e precisam de proteção física, como roupas adequadas, chapéus e permanência à sombra. Crianças maiores podem usar protetor, mas essa medida não substitui o cuidado com os horários de exposição, especialmente entre 10h e 16h.
As viroses de verão também preocupam, principalmente em viagens e ambientes como praias e piscinas. Diarreia e vômitos, muitas vezes relacionados à ingestão de água ou alimentos contaminados, podem levar rapidamente à desidratação. Sinais como boca seca, redução do volume de urina e prostração devem ser observados com atenção.
Além dos cuidados com a saúde, a segurança deve ser prioridade durante as férias. Afogamentos continuam entre as principais causas de internação e morte infantil. O uso de boias não elimina o risco e não substitui a supervisão constante de um adulto, já que acidentes podem ocorrer mesmo em recipientes com pequena quantidade de água.
A médica também orienta cautela em locais com grande aglomeração, especialmente para bebês. Vírus respiratórios, como influenza e covid-19, seguem em circulação mesmo durante o calor. Em ambientes fechados e lotados, o uso de máscaras pode ser indicado em situações específicas.
O período de férias é considerado ideal para atualizar vacinas que estejam em atraso, incluindo a imunização contra a dengue, disponível atualmente para crianças de 10 a 14 anos, além das demais previstas no calendário infantil e adolescente. A regularização nesse intervalo facilita o acesso aos serviços de saúde e contribui para um retorno às aulas mais seguro.