Saúde mental afasta cerca de 40 policiais militares por ano no Piauí
PM registra milhares de atendimentos psicológicos e alerta para avanço do adoecimento emocional na tropa
RedaçãoO adoecimento mental tem provocado o afastamento de aproximadamente 40 policiais militares por ano no Piauí. O dado foi divulgado pela tenente-coronel Aparecida, comandante do Centro de Assistência Integral à Saúde da Polícia Militar (CAIS), durante entrevista concedida nesta quinta-feira (28).
Segundo a comandante, somente até o mês de março deste ano, 16 policiais já haviam sido afastados das atividades por problemas relacionados à saúde mental. “É um direito do policial. Se ele não está bem, deve ser afastado das funções”, afirmou.
O CAIS realizou, apenas no ano passado, cerca de cinco mil atendimentos a integrantes da corporação. Desse total, 1.227 foram consultas psicológicas e outras 475 atendimentos psiquiátricos, evidenciando a crescente demanda por assistência emocional entre os profissionais da segurança pública.
De acordo com a Polícia Militar, o tratamento inclui acompanhamento psicológico, psiquiátrico e avaliações específicas antes do retorno às atividades operacionais, incluindo análise sobre o porte de arma. O período de recuperação pode variar de três meses a um ano, dependendo da gravidade do quadro apresentado.
Os dados do Piauí acompanham uma preocupação nacional. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta que suicídios e transtornos psicológicos já provocam mais mortes entre policiais brasileiros do que confrontos armados em serviço. O levantamento também indica que a taxa de sofrimento psicológico entre agentes de segurança é superior à registrada na população em geral.
Entre os principais sinais observados nos policiais estão ansiedade, depressão, irritabilidade excessiva, insônia, agressividade e aumento do consumo de álcool. A exposição frequente a ocorrências violentas, confrontos armados e situações de morte está entre os fatores que mais contribuem para o agravamento emocional dos profissionais.
A comandante do CAIS destacou ainda que muitos casos possuem origem em problemas familiares, sociais e emocionais que acabam sendo potencializados pela rotina da atividade policial. “Às vezes não é uma doença instalada, e sim uma questão social ou familiar. Se não tratar, poderá se tornar uma doença grave no futuro”, ressaltou.
A Polícia Militar informou que comandantes são orientados a encaminhar obrigatoriamente ao acompanhamento psicológico policiais envolvidos em ocorrências traumáticas, especialmente aquelas com troca de tiros, mortes ou situações de grande tensão emocional.
O objetivo, segundo a corporação, é ampliar a prevenção, garantir suporte adequado aos profissionais e reduzir os impactos emocionais provocados pela atividade policial.