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Menos pressa, mais jaleco bem formado: MEC freia novos cursos no PI

Com foco na qualidade e no futuro dos profissionais, ministério cancela edital e prioriza ensino forte
Redação

O Ministério da Educação decidiu fazer algo revolucionário em tempos de expansão desenfreada: apertar o freio. Foi revogado o edital que previa a abertura de três cursos privados de medicina no Piauí, com 180 novas vagas. A decisão, publicada no Diário Oficial da União e assinada pelo ministro Camilo Santana, encerra o processo iniciado em 2023 dentro da política ligada ao Programa Mais Médicos.

Foto: ReproduçãoMec cancela editais de expansão do curso de medicina
Mec cancela editais de expansão do curso de medicina

A justificativa? Simples — e um tanto óbvia: formar médicos exige mais do que multiplicar vagas como se fossem números em planilha.

Desde o lançamento do edital, o cenário mudou bastante. Entre 2024 e fevereiro de 2026, 5.382 novas vagas de medicina foram autorizadas por decisões judiciais. Outras 2.042 surgiram por meio de processos administrativos. No total, 7.424 novas vagas — bem acima das cerca de 5,7 mil previstas no edital original em todo o país. Traduzindo: a expansão já aconteceu, e até além do planejado.

Diante desse crescimento fora do roteiro, o MEC avaliou que era hora de reorganizar a casa.

Outro ponto que pesou foi o desempenho dos cursos já existentes. Avaliação nacional aplicada em 2025 mostrou que aproximadamente um terço das instituições ficou nas faixas mais baixas de rendimento, com menos de 60% dos estudantes atingindo desempenho considerado adequado. Um detalhe importante quando se trata de profissionais que, no futuro, estarão cuidando da vida das pessoas.

Além disso, o governo federal alertou para o risco de sobrecarga na rede pública de saúde. Hospitais e unidades que recebem estudantes para estágio e internato poderiam enfrentar saturação nos campos de prática — e formar médicos sem estrutura adequada não parece exatamente a receita ideal para a boa medicina.

Com a revogação, os municípios piauienses que estavam aptos a disputar a instalação dos cursos deixam de participar do processo por enquanto. O MEC, porém, reforça que a política de formação médica continua e que novos modelos de expansão poderão ser estudados com base em dados atualizados.

No fim das contas, a mensagem é clara: antes de aumentar a quantidade, é preciso garantir qualidade. Porque o Brasil — e o Piauí — precisam de mais médicos, sim. Mas, sobretudo, de bons médicos.

Fonte: Revista40graus, MEC e colaboradores

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