PF procura empresário suspeito de lavar dinheiro para o PCC após descumprir medidas judiciais
Investigado chegou a ser preso, obteve habeas corpus e hoje é considerado foragido pela JustiçaA Polícia Federal deflagrou, nesta sexta-feira (3), uma operação contra um esquema de lavagem de dinheiro supostamente ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), a fraudes contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e ao Banco Master. O principal alvo é o empresário Victor de Oliveira Shimada, atualmente considerado foragido da Justiça.
Segundo as investigações, Shimada já havia sido preso preventivamente no fim de 2024, acusado de envolvimento em um esquema que teria causado prejuízo de aproximadamente R$ 35 milhões ao Banco Votorantim. Na ocasião, a Justiça entendeu que sua liberdade representava risco à ordem pública e às investigações.
Entre os elementos considerados para a prisão estavam uma viagem realizada ao México logo após a fraude, a existência de empresa registrada no Panamá e o receio de destruição de provas e de fuga.
Apesar disso, cerca de 25 dias depois, o empresário obteve habeas corpus concedido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) e passou a responder ao processo em liberdade, sob medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, retenção do passaporte e proibição de deixar a comarca sem autorização judicial.
Posteriormente, Shimada foi condenado a cinco anos de prisão pelos desvios financeiros, em regime semiaberto. Na sentença, a Justiça determinou a retirada da tornozeleira eletrônica e o comparecimento periódico em juízo. Meses depois, no entanto, ele deixou de ser localizado pelas autoridades.
Durante novas diligências realizadas em investigações relacionadas ao tráfico de drogas, policiais não conseguiram encontrá-lo em nenhum dos endereços vinculados ao empresário.
De acordo com a Polícia Federal, Victor Shimada é apontado como responsável por uma estrutura de empresas utilizada para ocultar e movimentar recursos de origem ilícita. As investigações indicam que ele operava por meio das empresas Wave Intermediações, registrada em nome de terceiros, e Victory Trading, da qual é sócio.
Os investigadores afirmam que a estrutura financeira mantida pelo empresário teria sido utilizada para movimentar recursos relacionados ao tráfico de drogas e também apresentaria conexões com outras investigações de grande repercussão nacional, incluindo apurações sobre fraudes no INSS, no Banco Master e na Operação Carbono Oculto.
Na última quarta-feira (1º), Shimada também foi alvo de sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos por suposta ligação com o PCC. Sua ex-secretária, Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, igualmente sancionada pelas autoridades norte-americanas, foi presa durante a operação desta sexta-feira.
Em nota, a defesa de Victor de Oliveira Shimada informou que ainda não teve acesso aos autos da nova investigação e afirmou que somente após a análise técnica do processo poderá se manifestar sobre as acusações.
Fonte: Revista40graus, mídias, redes sociais e colaboradores
