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Lula aquece motores na Bahia e PT entra na campanha mirando privilégios

Aniversário do partido vira ensaio eleitoral, com base mobilizada e recado direto à direita
Redação

O presidente Lula escolheu Salvador para dar o que o PT chama de “não é campanha, mas também não é só festa”. Neste sábado (7), durante a celebração dos 46 anos do partido, o petista deve fazer um discurso afinado com o clima eleitoral, mobilizar a militância e sinalizar que a reeleição está, sim, no radar — ainda que com o freio de mão institucional puxado.

Foto: Rafaela AraújoO presidente Lula, durante cerimônia nesta sexta-feira (6), em Salvador
O presidente Lula, durante cerimônia nesta sexta-feira (6), em Salvador

O evento marca uma largada simbólica: menos nostalgia e mais disputa. A estratégia petista é tratar a próxima eleição como um plebiscito sobre os quatro anos do governo Lula, deixando o confronto direto com Jair Bolsonaro (PL), central em 2022, em segundo plano. Agora, a palavra de ordem é comparar projetos — e, claro, apontar quem sempre ficou com os privilégios.

O PT deve se reafirmar como partido que “nasceu antissistema”, mas com um adendo importante: o sistema, segundo o discurso, não são as instituições democráticas, e sim os grupos que historicamente se apropriam do Estado. O lema resume bem o espírito: “a democracia venceu, rumo ao tetra”.

Entre as bandeiras que devem ganhar destaque estão o fim da escala 6x1, a tarifa zero no transporte público e a taxação dos super-ricos — pautas pensadas para dialogar com jovens, trabalhadores precarizados e pequenos empreendedores, públicos considerados decisivos na disputa.

A ideia, segundo dirigentes, é ir além da lista de entregas do governo. Em palestra a militantes, o marqueteiro Otávio Antunes foi direto: repetir números não basta. É preciso travar a luta política e confrontar o discurso da direita, apontada como defensora das elites e dos privilégios.

“Nós fomos, na nossa origem, o partido que enfrentou o sistema. E o sistema são aqueles que sempre querem um pedaço do Estado para si”, afirmou Antunes. A resolução política do Diretório Nacional reforça essa linha, definindo o PT como um partido comprometido em combater desigualdades e a concentração de riqueza.

O secretário de comunicação do partido, Éden Valadares, resumiu o tom: menos governismo burocrático, mais disputa simbólica. “Vamos falar de coisas que mexem com o imaginário coletivo e enfrentar privilégios que nunca encararam a Justiça”, disse.

Até a crise do Banco Master entrou no radar. O partido pretende reforçar que Lula defende investigações e que a liquidação do banco ocorreu durante a gestão petista. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, defendeu inclusive a abertura de CPI. “Quem errou, tem que pagar. Seja quem for”, afirmou.

Lula desembarcou em Salvador nesta sexta-feira (6), cumpriu agenda institucional e visitou o Santuário de Santa Dulce dos Pobres. Neste sábado, participa da festa do PT no Trapiche Barnabé, que será encerrada com apresentação do Cortejo Afro.

Oficialmente, aliados evitam chamar o evento de lançamento de pré-campanha. Extraoficialmente, a mensagem está dada. A Bahia foi escolhida não por acaso: em 2022, Lula abriu ali uma vantagem de quatro milhões de votos sobre Bolsonaro. O giro pelo Nordeste começa onde o PT ainda fala alto — mesmo enfrentando desafios locais.

No próprio partido, a avaliação é que voto de gratidão já não resolve sozinho. “Esse cheque já foi descontado várias vezes. Só gratidão não organiza eleição”, disse Antunes. Por isso, o PT aposta que, desta vez, além de memória, o eleitor vai querer saber quem enfrenta privilégios e quem prefere empurrá-los para debaixo do tapete.

Fonte: Revista40graus, mídias, redes sociais e colaboradores

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