DTM de ponta no CEO enquanto falta até o básico nas UBS de Teresina
Prefeitura inaugura atendimento especializado em odontologia, mas esquece insumos e estrutura nas demais regiões da cidadeTeresina agora conta com atendimento especializado para Disfunções Temporomandibulares (DTM) — uma boa notícia, pelo menos no papel. O serviço gratuito foi implantado pela Fundação Municipal de Saúde (FMS) no Centro de Especialidades Odontológicas (CEO), ampliando a lista de especialidades disponíveis, enquanto boa parte das Unidades Básicas de Saúde (UBS) segue enfrentando a dura realidade da falta de materiais, estrutura precária e atendimento limitado na odontologia básica.
A DTM afeta a articulação da mandíbula, essencial para ações simples como falar, mastigar e bocejar. Quando não funciona bem, provoca dores no rosto, cabeça, estalos ao abrir a boca, dificuldade para mastigar e desconfortos que se estendem ao pescoço e ombros — sintomas que agora terão tratamento especializado, desde que o paciente consiga passar antes por uma UBS funcionando minimamente.
Segundo a FMS, o serviço no CEO oferece avaliação especializada, diagnóstico correto e tratamento gratuito. O gerente de saúde bucal, Dante Oliveira, destaca que muitos pacientes convivem com dores por anos sem saber a causa e que o novo atendimento vai melhorar a qualidade de vida dos usuários. Tudo muito alinhado — exceto pelo detalhe de que, em várias regiões da cidade, falta até o básico para identificar esses problemas.
O tratamento, em sua maioria conservador e sem cirurgia, promete controlar a dor e melhorar a função da mandíbula. Já o acesso ao serviço segue o roteiro conhecido: o cidadão deve procurar a UBS mais próxima, passar pela avaliação odontológica e, se houver necessidade, ser encaminhado ao CEO Maria Júlia Chaves, na Avenida Barão de Gurgueia.
Na prática, Teresina passa a oferecer um serviço altamente especializado em um ponto específico da cidade, enquanto bairros inteiros seguem sem atendimento odontológico regular, insumos básicos ou profissionais suficientes. Um avanço, sem dúvida — desde que o paciente consiga chegar até ele com a boca aberta… e a paciência intacta.
Fonte: Revista40graus, FMS, mídias, redes sociais e colaboradores
