“Tarcisão do asfalto”: muito apelido, pouco asfalto e várias placas de ‘em obras’
DER deixa bilhões no papel, coleciona freios do TCE e transforma vitrines rodoviárias em dor de cabeça eleitoralEleito com o sugestivo apelido de “Tarcisão do Asfalto”, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, chega às vésperas do período eleitoral com um currículo rodoviário que anda… devagar. Ex-ministro da Infraestrutura, a promessa era velocidade, obras e resultados. Na prática, o que se vê são atrasos, licitações suspensas, derrotas no TCE e um investimento que ficou bem aquém do anunciado.
Em 2025, o DER tinha R$ 3,6 bilhões previstos no orçamento, mas conseguiu aplicar pouco mais de R$ 1,1 bilhão — cerca de 30% do total. Ou seja, sobrou discurso, faltou execução. Para piorar, o orçamento deste ano ainda é menor: R$ 2,2 bilhões.
No ano passado, o órgão precisou suspender licitações que somavam mais de R$ 5 bilhões, deixando prefeitos e deputados estaduais sem obras para mostrar e sem fotos para a propaganda eleitoral. O desgaste político foi tamanho que, em janeiro, Tarcísio trocou o comando da área, numa tentativa de diminuir o barulho — e não o das máquinas, mas o das reclamações.
É verdade que o governo conseguiu destravar a retomada do trecho norte do Rodoanel, principal troféu da gestão no setor. Mas fora isso, as grandes licitações patinaram, muitas delas barradas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), que determinou sucessivas suspensões após questionamentos técnicos.
Um caso simbólico virou exemplo do “ritmo paulista”: uma estrada de apenas 5 km para a comunidade Quilombo dos Bombas, em Iporanga, prometida em 2023. O edital saiu em novembro de 2024, foi suspenso um mês depois e a obra só começou em junho do ano passado — com conclusão prevista agora, quase dois anos após a promessa.
Outro tropeço envolveu a contratação de manutenção em um trecho da Raposo Tavares que já estava sob concessão privada. Resultado: contrato extinto e mais um capítulo no manual de como não planejar.
O governo se defende dizendo que as suspensões “são previstas em lei” e que houve revisão de projetos antigos, economia de recursos e foco em segurança jurídica. Também promete virar o jogo com projetos executivos que somam R$ 3,7 bilhões em obras, cobrindo 363 km de rodovias — tudo muito bem planejado… para o futuro.
Enquanto isso, o “Tarcisão do Asfalto” segue com um apelido grande demais para uma execução curta. Em São Paulo, o asfalto até existe — mas, por enquanto, o que mais avança mesmo são os processos no TCE e as explicações em nota oficial.
Fonte: Revista40graus, mídias, redes sociais e colaboradores
