Portugal escolhe a calma: Seguro atropela a ultradireita e vira presidente

Entre moderação e “abanão”, portugueses preferem a democracia com cinto de segurança
Redação

António José Seguro venceu de lavada as eleições presidenciais deste domingo (8) e será o próximo presidente de Portugal. Com quase 99% das urnas apuradas, o socialista moderado somou cerca de 66,6% dos votos válidos, abrindo mais de 30 pontos de vantagem sobre André Ventura, líder da ultradireita do Chega.

Foto: REUTERS
António José Seguro discursando no evento de encerramento de campanha em Porto antes do segundo turno presidencial

O resultado deixou pouco espaço para suspense — e menos ainda para discursos inflamados. Ventura reconheceu rapidamente a derrota e desejou sorte ao adversário, enquanto Seguro resumiu o espírito do momento com sobriedade: servir ao país. Nada de “abanão”, só estabilidade.

Mesmo com abstenção dentro da média histórica, a eleição revelou um recado claro das urnas: mais do que esquerda versus direita, a disputa foi entre moderação e extremismo. E a moderação venceu com folga. Não por acaso, Seguro atraiu apoios que atravessaram o espectro político, incluindo nomes da direita tradicional.

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Experiente e conhecido pelo diálogo, o novo presidente é visto como alguém que usa a chamada “bomba atômica” — a dissolução do Parlamento — apenas em último caso. Um alívio para um país que, nos últimos anos, viu o recurso ser usado mais vezes do que gostaria.

No fim das contas, Portugal mostrou que prefere a democracia funcionando, ainda que sem fogos de artifício. E, ironicamente, quem prometia sacudir tudo acabou parado, enquanto o “Seguro” levou o futuro no nome — e nas urnas.

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