Lula cobra PEC do Susp, promete ministério da Segurança e cutuca quem segura a votação
Presidente diz que proposta define papel da União; sem PEC, Congresso adia solução conhecida
RedaçãoEm entrevista à TV Aratu, em Salvador (BA), nesta sexta-feira (6), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender a aprovação da PEC da Segurança Pública, conhecida como PEC do Susp, e deixou o recado claro: aprovou, cria-se o Ministério da Segurança Pública. Falta apenas o detalhe que não depende do Planalto — o Congresso destravar a votação.
Segundo Lula, a proposta é fundamental para organizar o papel da União no enfrentamento ao crime, algo que, segundo ele, mudou bastante desde a Constituição de 1988. “Na época, demos total autonomia aos estados para cuidar da segurança. Hoje a realidade é outra, e precisamos redefinir responsabilidades”, afirmou.
A PEC, elaborada pelo Governo Federal e já enviada ao Congresso, prevê o compartilhamento de ações entre União, estados e municípios, com integração de inteligência, troca de informações e foco em sufocar financeiramente facções e organizações criminosas. A ideia é criar um modelo semelhante ao SUS, só que aplicado à segurança pública: o Sistema Único de Segurança Pública (Susp).
Lula explicou que, com a PEC aprovada, será possível dimensionar a tarefa e estruturar o novo ministério, com mais orçamento, reforço de pessoal e ampliação das forças federais. “Vamos dobrar o número de delegados da Polícia Federal, fortalecer a Polícia Rodoviária Federal, criar uma Guarda Nacional e uma Polícia Nacional para atuar quando necessário, a pedido dos governadores”, detalhou.
Enquanto a proposta segue em compasso de espera no Congresso, o presidente aproveitou a entrevista para listar ações do governo, especialmente na área da saúde. Lula destacou o recorde de 14,7 milhões de cirurgias eletivas realizadas pelo SUS em 2025, o maior número da história, além da ampliação de atendimentos especializados pelo programa Agora Tem Especialistas.
Na Bahia, o presidente anunciou investimentos do Novo PAC Saúde, com novas policlínicas, funcionamento aos fins de semana, centros de tratamento de câncer, reforço no número de médicos e ampliação do acesso a medicamentos gratuitos pelo Farmácia Popular.
Lula também reforçou o compromisso do governo com o combate à violência contra a mulher, lembrando o pacto nacional que envolve os Três Poderes e defendendo serviços de proteção funcionando 24 horas. Para ele, enfrentar o problema exige ação do Estado — e também mudança de comportamento, especialmente dos homens.
Ao final, o presidente ainda celebrou o bom momento do cinema e da cultura brasileiros, defendeu maior valorização do setor e antecipou o lançamento de uma plataforma com cerca de 400 filmes nacionais, reforçando que nunca houve tantos investimentos na área.
Enquanto isso, a PEC do Susp segue aguardando votação. E o ministério prometido também — não por falta de projeto, mas por excesso de freio.