Flávio trocou saúde e educação pela tribuna da segurança e do discurso ideológico
Levantamento mostra foco quase exclusivo em polícia, elogios ao regime militar e poucas pautas sociais
RedaçãoDurante 16 anos na Assembleia Legislativa do Rio, Flávio Bolsonaro transformou a tribuna em uma espécie de extensão do quartel. Levantamento sobre seus discursos na Alerj aponta que segurança pública dominou a ampla maioria das falas, enquanto saúde e educação ficaram praticamente no acostamento político.
Entre reajustes salariais, aposentadorias especiais e defesa permanente das corporações policiais, o então deputado estadual concentrou energia em pautas ligadas às forças de segurança, enquanto temas como educação apareceram quase sempre para atacar cotas raciais e políticas afirmativas. Saúde, por sua vez, teve participação tímida nos pronunciamentos.
Ao mesmo tempo em que hoje tenta vender uma imagem mais moderada e austera, os discursos do passado revelam um parlamentar generoso quando o assunto era ampliar benefícios para categorias militares e duro apenas com pautas que contrariavam suas posições ideológicas.
As falas também resgatam elogios ao regime militar de 1964, defesa pública do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra e críticas a modelos familiares fora do padrão tradicional defendido pelo bolsonarismo. Na prática, o “moderado” de agora parece ter deixado boa parte da moderação esquecida nos arquivos da Alerj.
A equipe do senador afirma que a prioridade sempre foi o combate ao crime organizado, mas garante que ele também atuou em áreas como saúde, mobilidade, direitos das pessoas com deficiência e infraestrutura. Ainda assim, os números dos discursos mostram que polícia e ideologia ocuparam o centro do palco político durante quase duas décadas.