Inflação cai, mas argentinos seguem desanimados e Milei enfrenta desgaste social
Pesquisa aponta tristeza e raiva enquanto presidente argentino amplia confrontos e se envolve no cenário político regionalOs números da inflação melhoraram na Argentina, mas o humor dos argentinos parece ainda não ter recebido a notícia. Pesquisa da Hugo Haime Associados mostra um cenário de forte insatisfação social com o governo do presidente Javier Milei, mesmo diante da desaceleração dos preços registrada no país.
Segundo o levantamento, 42% dos entrevistados afirmam sentir tristeza e desânimo em relação ao governo, enquanto outros 34% mencionam raiva. Apenas 20% dizem estar entusiasmados e 4% não opinaram.
A pesquisa mede sentimentos, e não propriamente aprovação ou intenção de voto. Ainda assim, os resultados ajudam a revelar a distância existente entre a melhora de alguns indicadores econômicos e a percepção cotidiana da população.
A inflação anual argentina recuou significativamente em comparação com períodos anteriores, mas permanece elevada. Mais importante para as famílias, a recuperação ainda não chegou com a mesma intensidade aos salários e ao poder de compra.
O crédito permanece caro, o consumo enfrenta dificuldades e parte expressiva da população continua administrando o orçamento sob os efeitos acumulados da crise econômica. Em resumo: os indicadores começam a respirar, mas boa parte do bolso argentino ainda parece sem fôlego.
Nesse ambiente, Milei mantém uma característica marcante de sua atuação política: o confronto. O presidente argentino acumula embates com opositores, Congresso, imprensa, governadores e autoridades estrangeiras.
O Brasil entrou recentemente nessa lista após declarações de Milei contra autoridades brasileiras e sua aproximação política com o senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República.
A participação do argentino no debate político brasileiro chama ainda mais atenção diante dos desafios que permanecem dentro de seu próprio país. Enquanto manifesta apoio a aliados ideológicos no Brasil e em outras partes da América Latina, Milei administra uma Argentina em que parcela expressiva da população declara sentimentos de tristeza, desânimo e raiva em relação ao governo.
É o contraste que os números colocam sobre a mesa: a inflação desacelera, mas os salários ainda tentam recuperar terreno, o poder de compra continua pressionado e o entusiasmo popular permanece bem abaixo dos índices de insatisfação.
Com eleições presidenciais argentinas previstas para 2027, o desafio de Milei será transformar resultados macroeconômicos em melhorias percebidas pela população. Afinal, indicadores econômicos podem melhorar no papel, mas eleição é decidida por eleitores e são eles que precisam sentir a mudança no cotidiano.
Fonte: Revista40graus, mídias, redes sociais e colaboradores
