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Inflação cai, mas argentinos seguem desanimados e Milei enfrenta desgaste social

Pesquisa aponta tristeza e raiva enquanto presidente argentino amplia confrontos e se envolve no cenário político regional
Redação

Os números da inflação melhoraram na Argentina, mas o humor dos argentinos parece ainda não ter recebido a notícia. Pesquisa da Hugo Haime Associados mostra um cenário de forte insatisfação social com o governo do presidente Javier Milei, mesmo diante da desaceleração dos preços registrada no país.

Foto: REUTERSPresidente argentino, Javier Milei07/02/2024REUTERS/Ammar Awad  • REUTERS
Presidente argentino, Javier Milei07/02/2024REUTERS/Ammar Awad • REUTERS

Segundo o levantamento, 42% dos entrevistados afirmam sentir tristeza e desânimo em relação ao governo, enquanto outros 34% mencionam raiva. Apenas 20% dizem estar entusiasmados e 4% não opinaram.

A pesquisa mede sentimentos, e não propriamente aprovação ou intenção de voto. Ainda assim, os resultados ajudam a revelar a distância existente entre a melhora de alguns indicadores econômicos e a percepção cotidiana da população.

A inflação anual argentina recuou significativamente em comparação com períodos anteriores, mas permanece elevada. Mais importante para as famílias, a recuperação ainda não chegou com a mesma intensidade aos salários e ao poder de compra.

O crédito permanece caro, o consumo enfrenta dificuldades e parte expressiva da população continua administrando o orçamento sob os efeitos acumulados da crise econômica. Em resumo: os indicadores começam a respirar, mas boa parte do bolso argentino ainda parece sem fôlego.

Nesse ambiente, Milei mantém uma característica marcante de sua atuação política: o confronto. O presidente argentino acumula embates com opositores, Congresso, imprensa, governadores e autoridades estrangeiras.

O Brasil entrou recentemente nessa lista após declarações de Milei contra autoridades brasileiras e sua aproximação política com o senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República.

A participação do argentino no debate político brasileiro chama ainda mais atenção diante dos desafios que permanecem dentro de seu próprio país. Enquanto manifesta apoio a aliados ideológicos no Brasil e em outras partes da América Latina, Milei administra uma Argentina em que parcela expressiva da população declara sentimentos de tristeza, desânimo e raiva em relação ao governo.

É o contraste que os números colocam sobre a mesa: a inflação desacelera, mas os salários ainda tentam recuperar terreno, o poder de compra continua pressionado e o entusiasmo popular permanece bem abaixo dos índices de insatisfação.

Com eleições presidenciais argentinas previstas para 2027, o desafio de Milei será transformar resultados macroeconômicos em melhorias percebidas pela população. Afinal, indicadores econômicos podem melhorar no papel, mas eleição é decidida por eleitores e são eles que precisam sentir a mudança no cotidiano.

Fonte: Revista40graus, mídias, redes sociais e colaboradores

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