Investigação do caso Master amplia pressão sobre Ciro e aliados já falam em recuo eleitoral
PF apura aquisição de triplex milionário e cresce debate sobre futuro político do senador no Piauí
RedaçãoO senador Ciro Nogueira voltou ao centro das discussões políticas e judiciais após novos desdobramentos da Operação Compliance Zero, que investiga suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e favorecimento político ligado ao Banco Master.
Reportagem exibida pelo Jornal da Band nesta segunda-feira destacou que a Polícia Federal também passou a investigar a aquisição de uma cobertura triplex de luxo em São Paulo, avaliada em cerca de R$ 22 milhões e ligada a uma empresa da família do senador.
Segundo as apurações, investigadores analisam a relação temporal entre a compra do imóvel e a atuação de Ciro em propostas legislativas consideradas favoráveis ao Banco Master, especialmente a chamada “Emenda Master”, que ampliaria a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
A PF também investiga supostos repasses financeiros mensais atribuídos ao grupo empresarial ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, além de pagamentos de despesas e outras vantagens consideradas suspeitas pelos investigadores. O senador nega irregularidades.
Nos bastidores políticos, o avanço das investigações já provoca preocupação dentro do próprio Progressistas. Segundo informações divulgadas pela Band, aliados próximos estariam tentando convencer Ciro Nogueira a desistir da disputa pela reeleição ao Senado em 2026.
A avaliação de parte do grupo político é de que o cenário eleitoral no Piauí teria se tornado mais difícil diante do desgaste provocado pelas sucessivas notícias relacionadas ao caso Banco Master e aos desdobramentos da operação da PF.
Entre as alternativas discutidas estaria uma possível candidatura à Câmara Federal, movimento que permitiria ao senador manter o foro privilegiado no Supremo Tribunal Federal caso seja eleito deputado federal.
Embora pessoas próximas afirmem que o senador ainda resiste à ideia de deixar a disputa pelo Senado, interlocutores avaliam que o tema já passou a ser tratado internamente de maneira mais concreta diante da pressão política e jurídica crescente.
Nos últimos dias, Ciro também trocou sua equipe de defesa no caso, após o escritório do advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, deixar oficialmente a representação do parlamentar.